sexta-feira, 19 de agosto de 2011

paz

Finalmente a paz...
Mas quantas guerras eu travei,
Por vezes sangrei, por vezes chorei,
Por vezes de cansaço tombei, mas não desisti
Não desisti quando acharam que eu desistiria
Nem quando eu quis parar,
Quando a linha de chegada ficou um passo mais longe,
Eu estava sozinho quando no escuro fiz planos
Quando cantava e dançava em casa
Quando delirava e o fardo era pesado demais
Quando ninguém acreditou, aí eu sonhei...
Eu vim de longe...
Eu sou do interior...
Falo diferente e não me reconheço fora do meu lugar...
Já chorei só...
E senti o sal das minhas lágrimas
Todo homem é um mundo...
Cheio de oceanos a chorar e terras a descobrir..
Eu vim de muito longe e não foi fácil,
Mas eu cheguei e daqui não saio.

domingo, 14 de agosto de 2011

Nosso lugar

Quanto tempo faz?
Abri os olhos e estamos aqui,
Sob esse céu cravejado de estrelas...
Os sonhos, os medos, as perdas
Esse espirito de juventude que se acumula
Me rasgando a garganta num grito de liberdade
O novo mundo...
Depois dos oceanos e tempestades
Teus braços a ancorar navios,
Teus olhos turvos a colecionar naufrágios
O tempo...
Meus velhos amigos, a música fora de hora, a dança
A poesia encharcada da saudade de uma velha infância
Primeiros amores,
Nosso lugar escondido...
O tempo ganho juntos,
Conversando do futuro e de nós em meio a incertezas
Certos dias não se esquecem...
Nosso lugar...

Att Leo Rocha...
...

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Anarquia

Alguma coisa se perdeu,
Como se perdem velhas idéias,
Como um poema que não se fez,
O verdadeiro poema,
Sobra a falta,-agora não sei...
Mas alguma coisa se perdeu...
Se perdeu no exato momento em que te vi,
Não soube o que dizer,
Talvez soubesse, - não disse...
A palavra se perdeu...
O que não se perde fica na alma
Como a neblina numa noite turva,
Há segredos que n conseguimos esquecer
Embora tentássemos, não foi suficiente
Apagar teu batom do meu lençol...
A mancha apenas crescia,
No lençol a menor das marcas,
As maiores trago em mim...
Como uma pedra atirada à vidraça,
É fácil saber quando as coisas fogem ao controle
O que não se calcula deveras é o estrago
Estamos sempre a minimizar, otimizar, consertar o irremediável..
O olhar lançado ou faz a preza ou é perdido,
A palavra dita ou germina ou é pedra atirada à vidraça
Irremediável qualquer das duas...
Mas nesta noite, na qual escrevo
Sinto que alguma coisa se perdeu
Talvez a poesia o olhar ou a pedra...
Que Sá a pureza da criança que se prostitui,
Se perdeu a violência do menino que rouba...
O sonho dos comunistas, a ideologia...
Sobram poetas, falta a poesia,
Sobram partidos, falta a politica,
Pouco importa de onde emana o poder,
Se os homens o concentram,
Todo homem nasce livre -está escrito-
De que me valem as palavras, se não possuem vida...
São como meus dias longe dos teus
Amor...
Porém nem tudo se perde, não se perde a fome
Quando a bala é perdida...
Nem se perde o sonho,
Quando o governo é exercido...
Sonhar desde as navegações sempre foi preciso.
Amor, onde está a esperança?
Que só encontro nos teus braços,
Lá o mundo me parece algo melhor...
Ando cheio de angústia e solidão...
Não te conto... ontem lhe mandei flores...
Se não chegaram foi porque no caminho,
Alguém deve tê-las perdidos.
Ah solidão...
E o destino de não mandar no coração
Coração anarquista, que só quer ser livre,
Que só quer ser leão,
Coração anarquista, que não aceita governo
Que sabe que o sangue é vermelho
E não tem medo de sangrar,
Como banalizamos tudo amor,
Os sonhos o sangue e nós
Que nos fez desprezarmos a vítima e amarmos o algoz...
Não encontramos aquilo, que por gerações,
Está perdido,
Por ironia do Destino
Dentro de nós.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

me falte

Não me complete, me falte
Me faça te procurar em todos os lugares
Te lembrar em todas as canções
Te contar em todas as minhas histórias.
Não me prometa nada...
Me deixe ser feliz...
E dance comigo, seja em casa, ou na chuva
Me beije quando chover...
Me escreva se eu silenciar,
Silencie quando lhe escrever
Me venha de braços abertos e mãos vazias...
Me fale de você e jamais queira saber sobre mim...
E se for amor, que seja o que for...
Mas se não for, -me esqueça por favor-
Cante comigo enquanto sigo em frente,
Parta quando tiver de ir, e não quando tiver vontade
Mas ao retornar, venha quando quiser...
Eu sempre estarei aqui...
Mas se não for amor -me perdoe por favor-