segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Me deixar

Sei que cedo ou tarde você vai me deixar.
Mas me deixa da forma certa,
Sem que eu perceba,
Aos pouquinhos...
Deixa que eu durma, antes que tu saias...
Quero morar em meus sonhos.
Deixa eu acreditar que o tempo cura tudo,
Que o destino uma hora ou outra ainda nos liga.
Me Deixa...
Mas deixa também teu cheiro em minha cama,
Teu riso em minha casa,
Esquece uma peça de roupa no corredor
Como quem não quer nada,
Como quem ainda volta
Numa dessas voltas que a vida dá.
Me  deixa,
Mas esquece a porta aberta,
A escova no banheiro.
Deixa o telefone ligado...
Me liga quando estiver com medo, o cansada
Me deixa...
Mas antes, deixa eu também te esconder nesse verso,
Como quem guarda um segredo,
Que só a poesia é capaz de guardar.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Ensaio sobre a violência

A violência demonstra-se um fenômeno crescente na nossa realidade, mas está longe de ser apenas um problema de segurança pública, trata-se sim de um problema que tem sua origem na esfera social do indivíduo delinquente, pelo menos em sua maioria. Basta observar-mos que à medida que a população dos bairros periféricos crescem, a miséria e a violência crescem juntos.
Ainda que se viva em tempos de evolução econômica, se o bolo não for equitativamente partido, não haverá policia que contenha a fúria dos desafortunados. A violência é apenas a ferida, o tapa na cara da sociedade, mas da carne ao corte, a origem da chaga é muito mais profunda e refinada, de difícil combate. Engana-se quem pensa que a politica da repressão e do medo são o caminho, as favelas produzem centenas de homens bombas todos os dias, homens que nascem entre o lodo e a fome, fascinados e pelas coisas que sempre lhes foram negadas e que geram o efeito "Hidra", para cada um homem morto, nascem três cabeças mais.
Eu sei Caro leitor, são tempos difíceis. Mas será que você já se perguntou qual o seu papel nessa Barbárie? você que vive num pais que orgulha-se de ter um "jeitinho" particular, que assiste ao furto de bilhões dos cofres públicos, e censura, mas não deixa de também furar uma fila, levar vantagem no troco, parar na vaga do deficiente.
A Constituição, estabelece como objetivo da República a construção de um Sociedade livre, justa e solidária, Temos revindicado o bônus de uma vida livre e justa, mas temos sido solidários? temos pagado o ônus que nos cabe?
O problema do outro é sempre do outro. E daí se ele não come? E daí se ele não bebe? Se falta escola? Se falta Saúde? Se ele Não tem onde morar? Esquecemos que a vida em sociedade faz com que a vida do outro invariavelmente influa na minha, ou seja, faz com que a miséria do outro respingue em mim, que acho que não tenho nada com isso, que coloco a culpa no governo, e esqueço o Governo sou eu.
Se queremos mudanças, temos que aproximar a periferia do centro, entender que a repressão é a ultima razão, a solução está na educação, no combate a marginalização do pobre, do preto. Saber que a corrupção  mata muito mais, desde os milhões do lava jato, ao troco no mercado. De nada adianta indignação sem ação.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

O Amor deve ser outra coisa

O amor deve ser outra coisa.
Outra coisa que não isto ou aquilo,
Que não teus cabelos compridos
Caindo sobre teus olhos,
Deve ser outros olhos que eu ainda não ví.

Deve ser outra coisa que não teus abraços,
Deve se esconder em outras bocas,
Que beijam outros beijos,
Mas que coisa louca é essa,
Que sempre te coloca em meus desejos?

Não deve ser amor,
Porque que o amor deve ter outro cheiro,
Que eu não conheça.
Deve ter outro endereço,
Que não a ruas das flores,  62, casa
Deve ter outro numero que eu não saiba,
Outra cama que não me caiba.

O amor deve ser outra coisa
Que não esse meu querer
Deve ter outra roupa que eu não goste...
Deve viver junto e não à míngua...
Pode ser que eu não o entenda.
Deve falar outra língua.

O amor não deve ser certo,
Ao contrario, anda torto,
Não deve ser o mar...
Deve estar no porto.
Vem de vez em quando...
Me faz fazer tantos planos,
E não cansa de morar nos meus sonhos.

domingo, 2 de agosto de 2015

Só existe o instante

Só existe o instante,
O passado não existe
Se perdeu em meio a névoa
Foi fogo moldando o ferro
Queimando a pele...
Trazendo os homens das entranhas
Do fundo das chamas
Para a mais absoluta escuridão,

A eternidade cabe dentro do instante,
O amor e todas as coisas infinitas cabem no instante,

O futuro não existe,
O futuro é a miragem, doce ilusão
É probabilidade, mera especulação do destino
O destino também não existe, é criação.
Primitivos adorando o fenômeno incontrolável
Que é a própria natureza

Só existe o agora,
E a alucinação do passar das horas é pura ficção.

A vida é o instante
A morte é o instante
A escolha e a renuncia
O silencio e a pronuncia
E todas as dores
E todos os medos
... Todos os Deuses se escondendo por trás das várias faces...
... Do mesmo instante.