Me cansa esses amores baratos vendidos em atacado.
Me cansa essa felicidade constante, esse sorriso forçado.
Rosas de plásticos,
Alheias a noção de tempo, aparentemente vivas,
Mas no fundo estão mortas.
Onde estão os casmurros, os infelizes, os inquietos?
Onde estão os que fingem mal e suportam a sua própria miséria.
Somos a civilização dos cliques, dos gigas, do mundo virtual.
O toque humano é só um touch...
O amor passou a ser empalhado com declarações hipócritas.
Mundo! Mundo! vasto mundo de tantos Raimundos...
Eis aqui um insatisfeito,
O último primata depressivo com medo do fogo,
Romântico incorrigível, fora de moda, acostumado a desilusões.
O bicho de veias abertas e sangue jorrando.
Não quero essa modernidade fria...
Já sou velho demais,
Para me curvar perante as impetuosidades desses novos tempos.
Prefiro ver a quebra desse mercado inútil.
O rasco desse véu de mentiras,
Que acaba por sustentar toda a vida nessa sociedade,
Agora jaz, insustentável!