Nunca me disseram o que fazer, e a essa altura ainda metendo os pés pelas mãos, essa fama de bad boy já não cai tão bem em mim. Entregue ao luxo e ao lixo, a prazeres, acho que me perdi no meio de tantas madrugadas bebendo um vinho, fazendo um som, rindo o tempo todo do perigo.também não houve uma mão estendida pra me tirar do fundo do poço, sempre cavei um túnel pra sair de lá. abusei da velocidade, coloquei o pé no acelerador só pra ver as cores se misturando mais rápido, foram tantos gostos que o doce e o amargo se misturaram no mesmo paladar.
Ah... mas a vida nunca teve manual, nunca teve ensaio, foi sempre tudo ou nada pra mim, sempre uma noite de glória como preludio do fim do mundo. Sempre fui muito imediatista, sem propósito algum que não fosse o colher imediato do momento, vivendo assim, tentei absorver o máximo das pessoas, das experiências. Num mundo onde parece haver a necessidade constante de não se importar com os outros eu fui o avesso, me doei ao extremo, até a alma transparecer a necessidade de amar incondicionalmente... O problema é que meu amor sempre foi muito intenso, padeceu da calma necessária aos amores eternos.