Me deparar com o vazio foi assustador. Me questionei para onde foram
todas as noites, todos os toques, todos os cheiros, todas as bocas,
todos os risos... Numa fração de segundo minha vida inteira estava ali,
bem na minha frente, foi então que descobri que uma vida inteira não é
nada além disso, uma fração de segundo.
Almejei ser livre,
lancei-me no desconhecido, sem medos ou esperanças, era só a sensação
indescritível de ser inteiro pela primeira vez, todo o resto sempre foi
solidão. A solidão que me perseguiu pelas ruas nas madrugadas, que
assolou a minha poesia torta, de corpos que nunca conectaram almas.
Não fico mais apreensivo se o amor não me bate à porta, não sou mais
tão jovem para certas inocências, também não sou velho demais para
tamanho desespero. Ser livre, para mim, sempre foi aceitar a condição
natural de que andar perdido ou seguir o caminho correto não fazem tanta
diferença. A caminhada, as histórias, o acaso são o fim em si mesmo.
Todo homem livre vive do improviso.
Mas hoje, ao me deparar com o
silêncio como resposta para tantas perguntas, tudo que queria era
segurança de uma tarde contigo, te desejando entre os lençóis e depois
rir de piadas que nos contamos milhões de vezes. Porque tudo entre nós
sempre foi muito nosso, nosso demais pro mundo lá fora, nosso demais
pra ser compartilhado com a banalidade das relações tão comuns. Eu só
queria tua mão estendida como quem diz: "eu to aqui. Vai ficar tudo bem,
está todo mundo meio perdido mesmo!"
... E como numa tragédia
anunciada, continuo seguindo em frente, pois por mais que me expliquem
como são tristes os finais, eu sempre amarei os começos.
domingo, 12 de fevereiro de 2017
quinta-feira, 12 de janeiro de 2017
Crítica ao touch
Me cansa esses amores baratos vendidos em atacado.
Me cansa essa felicidade constante, esse sorriso forçado.
Rosas de plásticos,
Alheias a noção de tempo, aparentemente vivas,
Mas no fundo estão mortas.
Onde estão os casmurros, os infelizes, os inquietos?
Onde estão os que fingem mal e suportam a sua própria miséria.
Somos a civilização dos cliques, dos gigas, do mundo virtual.
O toque humano é só um touch...
O amor passou a ser empalhado com declarações hipócritas.
Mundo! Mundo! vasto mundo de tantos Raimundos...
Eis aqui um insatisfeito,
O último primata depressivo com medo do fogo,
Romântico incorrigível, fora de moda, acostumado a desilusões.
O bicho de veias abertas e sangue jorrando.
Não quero essa modernidade fria...
Já sou velho demais,
Para me curvar perante as impetuosidades desses novos tempos.
Prefiro ver a quebra desse mercado inútil.
O rasco desse véu de mentiras,
Que acaba por sustentar toda a vida nessa sociedade,
Agora jaz, insustentável!
Me cansa essa felicidade constante, esse sorriso forçado.
Rosas de plásticos,
Alheias a noção de tempo, aparentemente vivas,
Mas no fundo estão mortas.
Onde estão os casmurros, os infelizes, os inquietos?
Onde estão os que fingem mal e suportam a sua própria miséria.
Somos a civilização dos cliques, dos gigas, do mundo virtual.
O toque humano é só um touch...
O amor passou a ser empalhado com declarações hipócritas.
Mundo! Mundo! vasto mundo de tantos Raimundos...
Eis aqui um insatisfeito,
O último primata depressivo com medo do fogo,
Romântico incorrigível, fora de moda, acostumado a desilusões.
O bicho de veias abertas e sangue jorrando.
Não quero essa modernidade fria...
Já sou velho demais,
Para me curvar perante as impetuosidades desses novos tempos.
Prefiro ver a quebra desse mercado inútil.
O rasco desse véu de mentiras,
Que acaba por sustentar toda a vida nessa sociedade,
Agora jaz, insustentável!
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