segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Anarquia

Alguma coisa se perdeu,
Como se perdem velhas idéias,
Como um poema que não se fez,
O verdadeiro poema,
Sobra a falta,-agora não sei...
Mas alguma coisa se perdeu...
Se perdeu no exato momento em que te vi,
Não soube o que dizer,
Talvez soubesse, - não disse...
A palavra se perdeu...
O que não se perde fica na alma
Como a neblina numa noite turva,
Há segredos que n conseguimos esquecer
Embora tentássemos, não foi suficiente
Apagar teu batom do meu lençol...
A mancha apenas crescia,
No lençol a menor das marcas,
As maiores trago em mim...
Como uma pedra atirada à vidraça,
É fácil saber quando as coisas fogem ao controle
O que não se calcula deveras é o estrago
Estamos sempre a minimizar, otimizar, consertar o irremediável..
O olhar lançado ou faz a preza ou é perdido,
A palavra dita ou germina ou é pedra atirada à vidraça
Irremediável qualquer das duas...
Mas nesta noite, na qual escrevo
Sinto que alguma coisa se perdeu
Talvez a poesia o olhar ou a pedra...
Que Sá a pureza da criança que se prostitui,
Se perdeu a violência do menino que rouba...
O sonho dos comunistas, a ideologia...
Sobram poetas, falta a poesia,
Sobram partidos, falta a politica,
Pouco importa de onde emana o poder,
Se os homens o concentram,
Todo homem nasce livre -está escrito-
De que me valem as palavras, se não possuem vida...
São como meus dias longe dos teus
Amor...
Porém nem tudo se perde, não se perde a fome
Quando a bala é perdida...
Nem se perde o sonho,
Quando o governo é exercido...
Sonhar desde as navegações sempre foi preciso.
Amor, onde está a esperança?
Que só encontro nos teus braços,
Lá o mundo me parece algo melhor...
Ando cheio de angústia e solidão...
Não te conto... ontem lhe mandei flores...
Se não chegaram foi porque no caminho,
Alguém deve tê-las perdidos.
Ah solidão...
E o destino de não mandar no coração
Coração anarquista, que só quer ser livre,
Que só quer ser leão,
Coração anarquista, que não aceita governo
Que sabe que o sangue é vermelho
E não tem medo de sangrar,
Como banalizamos tudo amor,
Os sonhos o sangue e nós
Que nos fez desprezarmos a vítima e amarmos o algoz...
Não encontramos aquilo, que por gerações,
Está perdido,
Por ironia do Destino
Dentro de nós.

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