segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Por hora

Por hora vejo o verso,
Que insiste em vir...
É algo que rime com o agora,
Que as vezes aflora, 
E outras não.

A juventude envelhece,
A vida morre,
A beleza se esvai,
Nas voltas do ponteiro...

Por hora vejo verso,
Vejo vindo,
e logo se vai...

Por hora, passa agora
Passa lá fora
e logo despenca e cai...

Vem verão  e outono de folhas mortas...
Vem inverno e o frio batendo à porta...
Na primavera a poesia corrobora...

E o tempo passa pela hora...
O tempo passa pela hora...
O tempo passa aurora...
O tempo passa e logo evapora...




quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

O Salto

Acho que saltar pela janela foi mesmo a melhor saída, a porta estava trancada e não resta dúvida que quando Deus fecha uma porta ele abre uma janela, A janela era mesmo um sinal, um portal, algo surreal... mas estava aberta, aberta é o caralho! estava escancarada como quem me dissesse: vem... Pula...! E eu pulei, sem me importar com o que ficou pra trás, sem me importar com o que ficou por ser dito, até mesmo sem me importar com o que ficou por ser... já não foi... já não é. Mas ao saltar não era eu anjo ou pássaro, nem outra criatura com asas, não era Deus, era ateu... e dos ateus o mais temente... o que reza quando seu corpo despenca janela abaixo.
A janela é uma metáfora, a poesia é uma metáfora, a vida é a maior metáfora, por vezes estapafúrdia, sem nenhuma lógica... é só o sentir... sentir o sentido dos ventos e das chuvas, o calor no corpo e o frescor das lágrimas e no final somos só um ponto no infinito, a chama de uma vela que logo se apaga. Então, se é assim, quero saborear minhas dores e perdas da mesma forma que meus ganhos, e por mais amargo que tudo me pareça, eu quero ser... simplesmente ser em amplitude e precisão.
A queda machuca, não nego. Mas não foi pela dor que saltei da janela, saltei, porque acreditei que voaria, que seria especial e dentre todos os homens sem asas da humanidade eu seria o mais audacioso desde Ícaro e suas asas de cera, saltei pelos segundos de adrenalina que fizeram o coração disparar e me tiraram  da monotonia, saltei pelo vento no rosto face ao calor do dia, saltei porque quis, e porque do salto à queda, eu estava sendo senhor de mim, estava sendo livre.