Acho que saltar pela janela foi mesmo a melhor saída, a porta estava trancada e não resta dúvida que quando Deus fecha uma porta ele abre uma janela, A janela era mesmo um sinal, um portal, algo surreal... mas estava aberta, aberta é o caralho! estava escancarada como quem me dissesse: vem... Pula...! E eu pulei, sem me importar com o que ficou pra trás, sem me importar com o que ficou por ser dito, até mesmo sem me importar com o que ficou por ser... já não foi... já não é. Mas ao saltar não era eu anjo ou pássaro, nem outra criatura com asas, não era Deus, era ateu... e dos ateus o mais temente... o que reza quando seu corpo despenca janela abaixo.
A janela é uma metáfora, a poesia é uma metáfora, a vida é a maior metáfora, por vezes estapafúrdia, sem nenhuma lógica... é só o sentir... sentir o sentido dos ventos e das chuvas, o calor no corpo e o frescor das lágrimas e no final somos só um ponto no infinito, a chama de uma vela que logo se apaga. Então, se é assim, quero saborear minhas dores e perdas da mesma forma que meus ganhos, e por mais amargo que tudo me pareça, eu quero ser... simplesmente ser em amplitude e precisão.
A queda machuca, não nego. Mas não foi pela dor que saltei da janela, saltei, porque acreditei que voaria, que seria especial e dentre todos os homens sem asas da humanidade eu seria o mais audacioso desde Ícaro e suas asas de cera, saltei pelos segundos de adrenalina que fizeram o coração disparar e me tiraram da monotonia, saltei pelo vento no rosto face ao calor do dia, saltei porque quis, e porque do salto à queda, eu estava sendo senhor de mim, estava sendo livre.
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