Difícil mesmo é saber a hora de parar, saber que já se chegou no limite, que dali em diante não se pode mais seguir, reconhecer que ficou velho demais pra alguma coisa, que os olhos já não enxergam tão bem, que as mãos e pernas já não são tão rápidas e ágeis. Parar não deve ser tão difícil assim, quando se tem convicção de que o momento é certo, pior do que parar tarde é parar cedo demais, saber que poderia ter ido além, que deixou de fazer e descobrir alguma coisa, que ainda ficou algo por ser dito, um capítulo não escrito.
São as dúvidas que temos que lidar, sabendo do peso de nossa finitude onde nada é pra sempre, amores e impérios que levaram uma vida para serem construidos tem uma coisa em comum, podem desmoronar em um dia, as certezas que levamos estão sempre mudando de acordo com a dinâmica do sistema e da sobrevivência. Acreditem ou não, não basta apenas levar um vida no topo e terminá-la na sarjeta, pois é nesta última que você será lembrado.
Parar não é se entregar. Parar é chegar num limite intransponível, quando as coisas que antes eram praticadas com excelência tornaram-se impossíveis, já a entrega é um ato covarde que vem quase sempre precedido pelo medo do fracasso.
Os homens se atormentam todos os dias com seus limites, os que se sobressaem ganham destaque, dão esperança, tornam-se especiais... mas pra mim, o maior mistério é saber quando não dá mais pra seguir e é chegada a hora de colher os frutos do que já foi plantado.
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