quarta-feira, 20 de maio de 2015

Nos deixamos pra depois

No fim, acabei te perdendo, mal de mim que só sei bem te querer. Fiquei esquecido em algum lugar do teu passado, entristecido, empoeirado, lembrança antiga jogado no canto. Eu, ao contrário, te guardo na parte mais bonita, no brilho dos meus dias, no auge de minha mocidade, nas noites de amor inconsequente quando acreditei que poderíamos ser eternos.
Nada é eterno, nem a dança, nem a paz do seu sorriso, nem o caos da tua ausência, são só partes do mesmo todo, fazes da mesma lua, que agora cobiço vagando só pelas ruas, enquanto vejo o tempo correr, e sinto tua ausência cada vez mais presente.
Já perdi as contas de quantas faltas eu tenho, quantas carências, quantos medos... Já perdi a conta de quantas feridas eu trago em aberta em meu peito, e quantas pessoas eu deixei para trás, igualmente feridas, com as pedras que atirei.
E depois de tudo, nossas bocas antes unidas dividiram-se, e nossos corpos antes amantes tornaram-se estranhos, e ficamos à sombra, morremos na praia, nos deixamos pra depois. 

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