domingo, 4 de outubro de 2015

Poesia Marginal

Numa dessas noites, a minha poesia veio a mim...
Era o nada,  o vazio, a própria noite.
Era eu o poeta,
Cantador das dores maiores, dos amores melhores
Era eu...

Minha poesia veio a mim...
E agora era tudo, era o mundo
Turvo, confuso, mecânico...
E ainda assim era o canto, o vento, o pranto

Veio como Deus, desceu do céu
Como uma pomba branca
Trazendo a salvação.
Veio a mim, que não creio...
Veio a mim, que peco em blasfêmias e bordeis...
Mas tudo podia suportar,
Minhas blasfêmias e minhas putas,
O mau cheiro das ruas e os maus tratos dos homens
A se confundir por entre as pernas dos metrôs,
E a densa fumaça que sai carros e me sufoca
Num dia quente qualquer de outono.

Era a arte... o Sentimento se dilatando no branco do papel
Enquanto o ponteiro corria...
Enquanto o tempo passava...
Eu  naquela hora não sabia,
Mas a poesia que nascia em mim
Era o que me inquietava.

O menino faminto era a minha poesia...
E as paredes pichadas na solidão das ruas,
Que se confundem entre os becos e vielas
Nas favelas que crescem e se proliferam  como pragas

Era o toque no corpo daquelas mulheres nuas,
Nos lençóis imundos
Era a noite, era o dia
A seca, a melodia
Que me iludia
E não rimava com rima  alguma

Era o Verso ao avesso.
Um corte que jorrava
O medo que espreitava
Por detrás das sombras

Era o branco que a luz escondia...






Nenhum comentário:

Postar um comentário