Em algum momento perdi o tempo das coisas tangíveis
Tornei-me Insensível as fatídicas tragédias cotidianas.
Eu não sabia quantos temores traz a noite escura vivida em agonia.
Como podem os homens lá fora viverem assim
Se esgueirando entre esquinas, becos e vielas.
Com salários mínimos e e onze horas de trabalho
A barbárie só cresce.
Mas já não me importo
Com os mortos que se amontoam a minha porta
Com os vivos que nascem abandonados,
Por alguma razão que agora desconheço
Perdi o tempo também das coisas acontecidas:
Provas de faculdade, fantasmas a minha porta,
Memórias que insistem em vir.
Agora é só o silêncio desesperador,
O Mesmo silêncio que havia antes do mundo ser mundo...
O silêncio que separa as pessoas apressadas nas ruas
Que mesmo com todo o barulho de carros engarrafados,
Ainda escuto todos os dias
O que impede que eu atire no vizinho que fecha a minha garagem às oito da manhã?
Porque que me subjugo?
... E num momento de descuido
O primata depressivo que mora em mim desde as eras mais antigas grita
Está perdido ou escondido aqui dentro
Mas é tão real quanto o peso das coisas acontecidas:
Provas de faculdade, fantasmas a minha porta,
Memórias que insistem em vir.
Sou meu próprio algoz,
Sou eu quem me oprimo.
Muito mais que a ordem econômica classe social
Policia prisões moral e religiões
Sou eu quem me nego todas as manhãs
Me domino
E deixo à fera que mora em mim à mingua
Para que morra de fome
Mas a ela não morre.
E diz: Eis-me aqui.
Afinal o que sou, ou era...
Antes de me perder n tempo das coisas...
Viagens contas mulheres repudio
Entre tantos abismos
Acidentes e comercios
Lucros e drogas
O que sou numa tarde de uma terça feira
Trancado em casa escutando o vazio
Quando posso pensar qualquer coisa,
Ou numa madrugada insone
Onde não há perdão para os pecados
Longe dos olhos curiosos.
O que eu era antes de me perder no tempo das coisas que me atormentam?
E o que serei amanha?
Antes de sair de casa,
Quando o vizinho que fechar minha garagem com sua motocicleta?
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