Em silêncio, deixo pegadas na poeira de casa,
O mesmo silêncio que perseguiu meu pai,
Enquanto olhava esperançoso o céu desabar
Sobre nossas cabeças,
Meu irmão partiu com sua bolsa cheias de sonhos,
Foi ver o mundo e suas maravilhas,
Ao longe babel e suas línguas,
Interrompem o silêncio, que outrora era o choque
Do mundo devastado por ataques nucleares...
Nos olhos marejados a tristeza,
Solidão quem sabe outro dia,
Pouco importa os despotas,
De que vale os reinos, sem os sonhos...
Os ecombros,
Eu passeando sobre o que sobrou de minha casa
Buscando vida, objetos particulares, memórias...
O que sobrou da vida que nunca foi tão boa,
E justamente por ser assim,
Dá-me a impressão que era melhor...
E volta a me perseguir o silêncio,
O mesmo silêncio que habitava o nada,
Quando o mundo ainda não era o mundo,
E tua imagem incompleta já refletia nos olhos de Deus...
Agora é trade, muito tarde,
Casais se esfregam nas muretas do suburbio,
Homens mortos, torturados, atormentados...
A dor do aço cortando a pele,
E o sangue jorrando pela julgular...
Mas na poesia não há sangue,
Não há notas de jornais,
Não nesta noite de silêncio,
O mesmo silêncio que pairava, quando de leve vi tua sombra
Me perseguir por todas as noites
Desde o fatidico dia de tua partida...
Não há mais nada dizer...
É o lamento, da inoscência violentada,
Do sonho frustado,
Ainda assim temos sorte, estamos vivos...
O que mais esperar?
Os tempores no mundo são eternos,
Por isso Deus criou as grutas, sombras e os maus...
Para que o mundo fosse um lugar temível,
E ama os bons e os maus, da mesma forma que os ateus
Para que os tementes não se julguem melhor
Pouco inporta o melhor, se não há escolha
Recorro a poesia...
Melhor seria uma canção que todos entoassem,
O que tenho é o silêncio da poesia não lida,
De tê-la, tenho muito...
E quanto ao muito que se perdeu?
No epitáfio o silêncio.
Att Leo Rocha
quanta vida liquida!
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