A vida é mesmo feita de instantes, pequenos momentos em que
tudo começa ou deixa de fazer sentindo. O instante em que te encontrei por
algum acaso flutuando perdida como uma nuvem calma a rabiscar a monotonia azul
de um céu anil, até o fatídico instante em que te perdi, traçado pelo corte do
silêncio que paira sobre tudo que deixou de ser dito.
Tantas perguntas sem sentido, tantas vidas sem destinos,
nossos desencontros do dia a dia... O
destino ditando o ritmo dessa dança desordenada de passos apressados. Por onde
andará teus pensamentos nessa noite turva na qual escrevo? Por onde andará teus
abraços nesses dias de caos e incertezas? Em quais horizontes paira a esperança
verde de teus olhos?
Ah... Universos de incertezas, curvas de vazio, estrelas
cintilantes de saudade... Outrora os deuses foram mais misericordiosos e me
deram teu corpo nu, quente como o sol a se enterrar na profundeza dos mares,
templo de prazeres, fonte de milagres.
Mora em mim ainda hoje o teu toque, e mesmo hoje, quando me
ponho a vagar na imensidão de meu ser, ainda consigo ouvir o eco de tuas gargalhadas
me convidando a sorrir. Mas nada lamento, nem o nosso primeiro olhar, nem a
ultima briga, não sei quantas vidas tenho, mas se por acaso só tenha uma, outra
escolha não me resta, a não ser escrever versos tristes em noites turvas como
esta, e pintar o quadro mais colorido misturando as poucas tintas que tenho.
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