quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Segredos

Sei que sou o cara errado, que não tenho hora pra chegar e quando você menos espera já fui embora, sem ao menos uma despedida.  Sei que amo dessa maneira torta e cheia de defeitos, mas ainda assim é amor,  e desconheço jeito mais bonito de amar, nesta terra de histórias tão iguais.
Só quero que seja você a me salvar dessa loucura que é ser eu. Deixo a porta aberta, o coração escancarado, vem de braços abertos pro meu abraço, e esquece tudo... Me faz esquecer... Me faz sentir... Me faz ser... Ser o que você queira, ou coisa alguma... foi só um sorriso, não tinha mágoa nenhuma, foram só uns minutos... mas parecia ter esperado a vida inteira por eles... e num curto espaço de tempo... se encerrava uma longa espera de vida.
De perto fica ainda mais linda. E mesmo que não seja pra acontecer, fecha teus olhos e adivinha?  te escondo nesse verso, aqui sempre serás minha, e eu serei completo.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Para Capitu

 Ao mirar teus olhos de miragens, lancei-me no desconhecido que é teu ser. Algo me diz que teu coração anda perdido, tal qual nau à deriva, precisando de carinho, precisando de atenção. E eu, que outrora andava tão cheio de tudo, tão cheio de mim, tão seguro. Entendi perfeitamente o significado de Máxima Marxista, "tudo que é sólido, se desmancha no ar".
Deve ser mesmo assim, Amores eternos acabam em um dia... o problema é que paixões avassaladoras também começam de maneira repentina. E de repente era você, e de repente eram teus olhos, e de repente era o destino gritando pra mim que depois dos ventos do outono que costumeiramente levam as folhas ao chão, a natureza verdeja.
Quero todos os perigos dos teus mares de mistérios, quero teus desejos, teus segredos... quero teu corpo, teu templo,  não me importo de querer-te as cegas, de arriscar-me... mesmo que haja dores, que nem tudo sejam flores... corro todos os riscos do não... pela possibilidade do sim.
São teus olhos que me puseram a ver o mundo de outra forma, que me abriram janelas da percepção, que me deram coragem, que me leem, que me hipnotizam. Sempre foram teus olhos. "Olhos de cigana... Obliqua e dissimulada". 

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Recomeço

Me conta um história, me guarda na memória, me esconde da pressa das horas, me leva daqui... Talvez o problema seja mesmo amar, um mar que não tem fim, talvez o problema seja o azar, calar... Mas não me esquece, fala de mim, de um amor sem fim, como o acreditei ser possível... como algo incrível, lembra de mim... mesmo que tudo hoje esteja assim, mesmo que eu não esteja mais afim, que tenha chegado o fim.
O fim sempre chega, cedo ou tarde, chega. E logo passa, como tudo passa, verdade seja dita, tudo acaba em recomeço. Logo, volta aquele apreço, depois que se paga o preço, que às vezes é alto, às vezes se vende barato aquilo que se comprou caro, às vezes nada é nunca, as vezes tudo muda, tudo varia até chegar o outro dia, até perceber que se pagou mais do que valia, que se fez mais do que podia. Verdade seja dita, tudo acaba em recomeço.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

poeta

Podia ter nascido feliz,
Deus quis que nascesse poeta...

me quis...

Se todo esconderijo fosse seguro? se não houvesse perigo nas trincheiras? se amar doesse menos e não fosse tão bom? se não fosse viciante? como não vi isso antes? se tudo estava bem ali... agora pouco importa, tudo passa... "se tudo passa, talvez você passe por aqui"  era o que dizia... a canção que eu ouvi.
Mas tudo ia... ia bem até chegar o outro dia, até voltar aquela agonia de quem sabia que não estava pronto, que não era o ponto, não era a questão.
Talvez faltasse sorte, talvez fosse o rumo, quem sabe um outro prumo, um outro norte, talvez não, o caminho certo sempre foi a contramão, a contradição.
Bem me quis, mal me quis... me quis? talvez pedisse um beijo... talvez fosse o bis... sempre... seja como for... tudo sempre por um triz... feliz... "Pro dia nascer feliz", era o que eu ouvia, era o que canção dizia... enquanto tudo ia, tudo escorria... prazer, amor, dor, solidão, talvez não, talvez nada, quem sabe o caos, quem sabe casa.

Não

Não...
Não posso te ter nas mãos...
Não posso segurar teu coração...
Não posso escutar essa canção...

Se toda noite tivesse lua...
Se toda alma andasse nua...
Se todo caminho fosse rua...
Se a vida fosse menos crua...