segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Para Capitu

 Ao mirar teus olhos de miragens, lancei-me no desconhecido que é teu ser. Algo me diz que teu coração anda perdido, tal qual nau à deriva, precisando de carinho, precisando de atenção. E eu, que outrora andava tão cheio de tudo, tão cheio de mim, tão seguro. Entendi perfeitamente o significado de Máxima Marxista, "tudo que é sólido, se desmancha no ar".
Deve ser mesmo assim, Amores eternos acabam em um dia... o problema é que paixões avassaladoras também começam de maneira repentina. E de repente era você, e de repente eram teus olhos, e de repente era o destino gritando pra mim que depois dos ventos do outono que costumeiramente levam as folhas ao chão, a natureza verdeja.
Quero todos os perigos dos teus mares de mistérios, quero teus desejos, teus segredos... quero teu corpo, teu templo,  não me importo de querer-te as cegas, de arriscar-me... mesmo que haja dores, que nem tudo sejam flores... corro todos os riscos do não... pela possibilidade do sim.
São teus olhos que me puseram a ver o mundo de outra forma, que me abriram janelas da percepção, que me deram coragem, que me leem, que me hipnotizam. Sempre foram teus olhos. "Olhos de cigana... Obliqua e dissimulada". 

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