Se eu pudesse parar o tempo, pararia no exato momento em que te amei, não da primeira vez, mas da última, quando sabia que seria a última, quando sabia que alí te perdia, quando teu corpo escorria pelos meus dedos, fluído de prazeres, e tua boca me falava de desejos, e tua alma me fazia promessas. E ficaria para sempre entre o quase fim e o fim, viveria a vida no prelúdio... onde se pode caminhar a beira do caos, sem despencar para o precipício que se tornou a vida.
Na minha pressa, perdi a hora, pedia abrigo, corri perigo e me deixei ir... Bati a porta, deixei pra trás tudo que queria levar comigo, e agora já não sei mais ser... Já não sei ser eu sem alguma guerra ou alguma perda, sem alguma baixa no pelotão, homem ao mar, náu à deriva, perigo constante... doce correr da vida, que ora estica, ora afrouxa, por vezes leva, por vezes traz, e quase sempre trai. Hoje, tudo é muito banal, a vida, os homens, as dores, as cores... O amor em sua inconstância, nada é eterno, exceto o sonho, mas nos foi proibido sonhar, nos foi proibido tentar alçar vôos, e dizem por aí, que embora a cabeça possa andar nas nuvens, os pés devem estar presos no chão.
Solidão, meu ser perdido, coração, órgão inútil, casa vazia, a cabeça sempre a mil, sempre perdendo o tempo e sempre perdido dentro dele. E tua imagem me assombra, teus sussurros ecoam pelo casa... enquanto escrevo um verso.
Amada, amante minha,
Ei de ser sempre teu,
E tu há de ser sempre minha...
Agora entendo a fúria de Deus e sua necessidade de ser amado sobre todas as coisas, sobre todas as falhas, sobre sua incompetência de fazer do homem um ser melhor, agora entendo o seu amor desmedido por quem lhe deu as costas, agora entendo seu ego divino e sua necessidade se ser amado sozinho. É que fui feito a sua imagem e semelhança.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
Destino
Algo que sempre me intrigou é se as pessoas que cruzam nosso caminho, o fazem meramente por acaso? ou isso tudo faria parte de um plano maior, destino como querem alguns, maktub do fatalismo árabe.
Difícil saber, qual o real motivo para no meio de tantos mundos, e sendo restritivo, dentro dessa nave louca chamada terra em meio a tantos vagões, em tantos horários diferentes aquela pessoa escolheu o seu horário, o seu vagão, e em meio a tantos lugares vazios, escolheu sentar ao seu lado.
Não fosse eu alguém tão cético diria que o arquiteto do destino é o melhor dos matemáticos. Mas teria a matemática um propósito maior? ou seria um fim em sua própria execução? Não sei... sempre fui mais da poesia que dos números. Talvez por isso, as perguntas mais vagas, a mim, sempre pareceram ser, as mais profundas... pouco me importo com as respostas erradas se no fundo sei que as perguntas estão corretas.
O fato é, que com o passar do tempo e de cruzamentos vamos nos modificando, perdemos pureza, ganhamos emoções, as vezes até esperança... mas a vida é o momento, a sensação breve, o beijo, o calor amigo, as lágrimas derramadas. O resto é transito, é tempo perdido, é o trabalho acumulado, o cansaço transfigurado em pilhas de papéis, nos pontos de ônibus, nas filas dos bancos. Por isso a fugacidade dos minutos são mais importantes que a longa espera das horas.
Tento ver algum sentido na progressão das coisas, o sentido do sentir...
O garoto atravessava a rua para o ponto de ônibus num dia de sexta, estava atrasado, geralmente levantava as sete já eram oito, nesse dia acordara tarde, perdera a hora, caminhava com pressa... entre esbarrões e sapatos desamarrados seu ônibus partia, sobrava o de oito e meia... não tinha jeito...
Ao entrar sentou do lado de uma garota, demorou um certo tempo até perceber que estava do lado da garota que morava no seu bairro, que embora o interessasse, não conhecia... Maktub... o destino novamente se encarregando dos cruzamentos... sei que conversaram, não sei o que veio depois... sei que o garoto perdeu a hora, mas ganhou o dia.
Difícil saber, qual o real motivo para no meio de tantos mundos, e sendo restritivo, dentro dessa nave louca chamada terra em meio a tantos vagões, em tantos horários diferentes aquela pessoa escolheu o seu horário, o seu vagão, e em meio a tantos lugares vazios, escolheu sentar ao seu lado.
Não fosse eu alguém tão cético diria que o arquiteto do destino é o melhor dos matemáticos. Mas teria a matemática um propósito maior? ou seria um fim em sua própria execução? Não sei... sempre fui mais da poesia que dos números. Talvez por isso, as perguntas mais vagas, a mim, sempre pareceram ser, as mais profundas... pouco me importo com as respostas erradas se no fundo sei que as perguntas estão corretas.
O fato é, que com o passar do tempo e de cruzamentos vamos nos modificando, perdemos pureza, ganhamos emoções, as vezes até esperança... mas a vida é o momento, a sensação breve, o beijo, o calor amigo, as lágrimas derramadas. O resto é transito, é tempo perdido, é o trabalho acumulado, o cansaço transfigurado em pilhas de papéis, nos pontos de ônibus, nas filas dos bancos. Por isso a fugacidade dos minutos são mais importantes que a longa espera das horas.
Tento ver algum sentido na progressão das coisas, o sentido do sentir...
O garoto atravessava a rua para o ponto de ônibus num dia de sexta, estava atrasado, geralmente levantava as sete já eram oito, nesse dia acordara tarde, perdera a hora, caminhava com pressa... entre esbarrões e sapatos desamarrados seu ônibus partia, sobrava o de oito e meia... não tinha jeito...
Ao entrar sentou do lado de uma garota, demorou um certo tempo até perceber que estava do lado da garota que morava no seu bairro, que embora o interessasse, não conhecia... Maktub... o destino novamente se encarregando dos cruzamentos... sei que conversaram, não sei o que veio depois... sei que o garoto perdeu a hora, mas ganhou o dia.
domingo, 1 de fevereiro de 2015
retorne
Talvez um dia você faça uma viagem, leve um tempo fora... bata perna por ai... conheça gente nova, lugares atrativos, saia sem nada e volte cheio de história, pode ser que os maus invadam sua casa e mudem as coisas de lugar. Mas ao retornar... os maus o temerão, saberão que ali é a sua casa, que aquele é o seu mundo, terão que respeitar as suas regras e fugirão do seu caos.
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