quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Texto Byronico

Se eu pudesse parar o tempo, pararia no exato momento em que te amei, não da primeira vez, mas da última, quando sabia que seria a última, quando sabia que alí te perdia, quando teu corpo escorria pelos meus dedos, fluído de prazeres, e tua boca me falava de desejos, e tua alma me fazia promessas. E ficaria para sempre entre o quase fim e o fim, viveria a vida no prelúdio... onde se pode caminhar a beira do caos, sem despencar para o precipício que se tornou a vida.
Na minha pressa, perdi a hora, pedia abrigo, corri perigo e me deixei ir... Bati a porta, deixei pra trás tudo que queria levar comigo, e agora já não sei mais ser... Já não sei ser eu sem alguma guerra ou alguma perda, sem alguma baixa no pelotão, homem ao mar, náu à deriva, perigo constante... doce correr da vida, que ora estica, ora afrouxa, por vezes leva, por vezes traz, e quase sempre trai. Hoje, tudo é muito banal, a vida, os homens, as dores, as cores... O amor em sua inconstância, nada é eterno, exceto o sonho, mas nos foi proibido sonhar, nos foi proibido tentar alçar vôos, e dizem por aí, que embora a cabeça possa andar nas nuvens, os pés devem estar presos no chão.
Solidão, meu ser perdido, coração, órgão inútil, casa vazia, a cabeça sempre a mil, sempre perdendo o tempo e sempre perdido dentro dele. E tua imagem me assombra, teus sussurros ecoam pelo casa... enquanto escrevo um verso.
Amada, amante minha,
Ei de ser sempre teu,
E tu há de ser sempre minha...
Agora entendo a fúria de Deus e sua necessidade  de ser amado sobre todas as coisas, sobre todas as falhas, sobre sua incompetência de fazer do homem um ser melhor, agora entendo o seu amor desmedido por quem lhe deu as costas, agora entendo seu ego divino e sua necessidade se ser amado sozinho. É que fui feito a sua imagem e semelhança.

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