terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Destino

Algo que sempre me intrigou é se as pessoas que cruzam nosso caminho, o fazem meramente por acaso? ou isso tudo faria parte de um plano maior, destino como querem alguns, maktub do fatalismo árabe.
Difícil saber, qual o  real motivo para no meio de tantos mundos, e sendo restritivo, dentro dessa nave louca chamada terra em meio a tantos vagões, em tantos horários diferentes aquela pessoa escolheu o seu horário, o seu vagão, e em meio a tantos lugares vazios, escolheu sentar ao seu lado.
Não fosse eu alguém tão cético diria que o arquiteto do destino é o melhor dos matemáticos. Mas teria a matemática um propósito maior? ou seria um fim em sua própria execução? Não sei... sempre fui mais da poesia que dos números. Talvez por isso, as perguntas mais vagas, a mim, sempre pareceram ser, as mais profundas... pouco me importo com as respostas erradas se no fundo sei que as perguntas estão corretas.
O fato é, que com o passar do tempo e de cruzamentos vamos nos modificando, perdemos pureza, ganhamos emoções, as vezes até esperança... mas a vida é o momento, a sensação breve, o beijo, o calor amigo, as lágrimas derramadas. O resto é transito, é tempo perdido, é o trabalho acumulado, o cansaço transfigurado em pilhas de papéis, nos pontos de ônibus, nas filas dos bancos. Por isso a fugacidade dos minutos são mais importantes que a longa espera das horas.
Tento ver algum sentido na progressão das coisas, o sentido do sentir...
O garoto atravessava a rua para o ponto de ônibus num dia de sexta, estava atrasado, geralmente levantava as sete já eram oito, nesse dia acordara tarde, perdera a hora, caminhava com pressa... entre esbarrões e sapatos desamarrados seu ônibus partia, sobrava o de oito e meia... não tinha jeito...
Ao entrar sentou do lado de uma garota, demorou um certo tempo até perceber que estava do lado da garota que morava no seu bairro, que embora o interessasse, não conhecia... Maktub... o destino novamente se encarregando dos cruzamentos... sei que conversaram, não sei o que veio depois... sei que o garoto perdeu a hora, mas ganhou o dia.


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