quinta-feira, 30 de abril de 2015

O Crime

O crime deve ser analisado como um fato social e o criminoso como agente individual. Não obstante o delito seja algo inerente a natureza humana, presente em todas as sociedades  ao longo da história da humanidade, não se pode separa-lo de todos os fatores externos e internos que influenciam diretamente à sua prática e principalmente à sua banalização.
A sociedade se sente vítima do aumento constante da criminalidade, e é! O que não impede também, de figurar  como contribuinte omissivo de sua própria desgraça. As pessoas pedem o tempo todo leis mais severas, sem ao menos conseguir aplicar com plenitude as leis que já temos, redução da maioridade penal, penas mais excessivas são meios falhos de tentar corrigir um problema que na maioria das vezes se origina na pobreza, na miséria e na violência domestica. Em conversa recente, me chamou à atenção a frase de uma amigo quando disse; "o que vivemos no brasil, não é um sistema  capitalista, mas sim uma selvageria." ... E na selva, não há lei, senão aquela do mais forte.
Embora a lei seja uma dogma, não pode ser aplicada sem que a sua interpretação seja feita feita de forma coerente, levando em consideração a questão social que origina o indivíduo criminoso. Não está se falando aqui, da flexibilização das normas, mas na interpretação destas, afinal de contas, em nossa história recente o sistema escravista embora desumano era legal, a lei não pode ser aplicada como uma ciência exata "dura lex, sed lex" ou seja, "a lei é dura, mas é a lei", porque a lei injusta é opressão.
Qual a culpa da sociedade? grande!  a mesma sociedade que se vitima nos casos de repercussão pública, que se indigna quando tem a arma apontada para  sua face, cruza os braços quando finge que não sabe das injustiças, das torturas, das práticas truculentas de alguns membros da policia, das filas enormes dos hospitais, da educação precária, quando de forma permissiva fomenta ou pratica a corrupção. O grande problema, é que a comunidade só se lembra da miséria, quando essa ultima decide se revoltar contra o opressor, quando essa decide se rebelar, quando decide sair da inercia.
O que tem feito o Estado? muito pouco. O estado tributa nosso dinheiro, tira a nossa liberdade, nos coloca à sombra do seu cajado, e em contra partida nos administra muito mal. Mas o Estado é uma ficção  jurídica, no fundo o Estado somos nós e o caos que vemos é um reflexo de nossa incompetência, de nosso egoísmo e da nossa ganância.
A criminalidade vem sendo combatida de forma errada e inversa, e só vai ser solucionada quando começarmos a fazer frente as elites, que nadam nos bilhões que deveriam ser distribuídos por toda população. Não estamos aqui falando de marxismo, muito embora seja o sociólogo um dos maiores gênios da humanidade, mas pra chegarmos à evolução,  para vivermos no estagio de tranquilidade é preciso aprender a dividir, para reduzir a margem da desigualdade.
"...Cada ponto de vista é a vista de um ponto", é evidente que outros pontos devem ser analisados, sejam eles psicológicos do criminoso, operacionais da pena, tipificação dos delitos. O que se quer dizer aqui, é que a repressão de maneira isolada, só vai causar o aumento da barbárie, A criminalidade deve ser combatida, com repressão sim! Mas também com sensibilidade e humanidade, a pena deve ser objeto utilizado para a ressocialização do  individuo e não para o aumento de sua marginalização.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Não me comovo

Pode ser que seja mesmo muito difícil de te reencontrar em meio aos escombros, e enxergar a verdade em meio a tantas sombras, dentro da noite, perdido no tempo. 
Hoje eu entendo, não existem sentimentos imortais, embora todos os "Eu te amo" ecoem no vento, eles não voltam mais. Como um espelho quando se parte a vida tornou-se um quebra cabeça difícil de encaixar e tudo que se vê é um reflexo distorcido da imagem que já refletiu. 
E não há tempo... Não há tempo para o amor, não há tempo para a vida, ou para arte dentro do poema. O que há é o silêncio, o silêncio de formas destorcidas no inferno cotidiano.  Sou todo Caos, sou todo conflito. Atiro palavras como flechas, firo pessoas como alvo, e não me comovo com teus olhos de rubis.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Não vejo gente

Para onde caminha essa sociedade pós moderna de mentalidade tão primitiva? Da carne ao corte, o grito, a dor, o selfie em vez do toque. Uma exposição sem precedentes, poderia um homem se debruçar sobre as suas dúvidas em tempos onde não há mais tempo?
Há muito a humanidade deixou de caminhar e passou a correr, mas para onde? às tontas, às tantas me sinto meio fora do compasso,  trinta minutos atrasado pra tudo que acontece. Vejo carro não vejo gente, vejo terno não vejo gente, vejo miséria não vejo gente, vejo foto não vejo gente, vejo gente não vejo coração.
Tanto tempo assim, me deixou cansado. Agora é madrugada, ainda há silêncio, o mesmo silêncio primitivo que nos encurralava enquanto primatas, enquanto observava-mos do escuro os perigos que a noite escondia. E é no silêncio que eu encontro a ligação entre o que eu era e o que eu sou.
Se o meu cansaço me deixasse dormir, se a verdade não me deixasse mentir, a vida seria mais fácil, há uma dose de misericórdia no fim, e todas as coisas estão destinadas a acabar, mesmo aquelas que não vieram, já acabaram antes mesmo de nascer.