segunda-feira, 6 de abril de 2015

Não vejo gente

Para onde caminha essa sociedade pós moderna de mentalidade tão primitiva? Da carne ao corte, o grito, a dor, o selfie em vez do toque. Uma exposição sem precedentes, poderia um homem se debruçar sobre as suas dúvidas em tempos onde não há mais tempo?
Há muito a humanidade deixou de caminhar e passou a correr, mas para onde? às tontas, às tantas me sinto meio fora do compasso,  trinta minutos atrasado pra tudo que acontece. Vejo carro não vejo gente, vejo terno não vejo gente, vejo miséria não vejo gente, vejo foto não vejo gente, vejo gente não vejo coração.
Tanto tempo assim, me deixou cansado. Agora é madrugada, ainda há silêncio, o mesmo silêncio primitivo que nos encurralava enquanto primatas, enquanto observava-mos do escuro os perigos que a noite escondia. E é no silêncio que eu encontro a ligação entre o que eu era e o que eu sou.
Se o meu cansaço me deixasse dormir, se a verdade não me deixasse mentir, a vida seria mais fácil, há uma dose de misericórdia no fim, e todas as coisas estão destinadas a acabar, mesmo aquelas que não vieram, já acabaram antes mesmo de nascer.

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