domingo, 12 de junho de 2016

Prelúdio ( O começo do fim)

Valeu a pena? durante muito tempo eu fiz o impossível parecer fácil. Saí me arrastando da lama podre até consegui caminhar ereto como os nossos ancestrais mais primitivos, consegui sair de uma infância miserável e caminhar livremente entre os salões de festas mais caros e hipócritas que pode um homem caminhar. Fui invejado, copiado, amado por alguns, odiado por outros, mas em ambos os casos nunca tive a habilidade de passar desapercebido.
Com a mesma velocidade que ganhava, perdia... perdia não. Jogava eu mesmo tudo fora. Mulheres, dinheiro, festas, noitadas, bens... tudo vinha rápido e fácil, tudo tão simples, ao alcance do toque e com a velocidade do choque. Vivi uma vida de boemia, parecia ser invencível... parecia ser imortal. Talvez a maioria das pessoas morra sem saber o que é ser o cara da vez, o que é o auge... como no livro o retrato de Dorian Gray, as vezes a beleza e a juventude custam a alma.
Agora, ando cada dia mais isolado, pensando se seria possível um ultimo golpe de sorte, se conseguiria contrariar as probabilidades mais uma vez e fazer o inflexível destino se dobrar mais uma vez a minha vontade. Mas será mesmo algum homem capaz de zombar da própria sorte? seria mesmo algum homem maior que seu próprio destino.
 Nunca soube ser contido, nunca soube ficar preso, me ater a padrões de conduta. E, ao menos, depois de minha queda, se lembrarão de mim como símbolo máximo de liberdade e juventude, como aquele que mudou as regras do jogo, um agente do caos, um amante das noites, dos vinhos envelhecidos e das mulheres jovens? ou ficarão apenas com a figura decadente que vive à sombra da glória que um dia teve, um homem escondido entre as colidas, um pugilista a cambalear antes do nocaute?

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