Do alto da colina eu assisto a cidade anoitecer, vejo as luzes acesas ofuscarem as estrelas do céu. Aqui do alto aprecio a solidão dilacerar o peito, ouço o vento soprar frio, enquanto meus gatos me estranham e independentes contemplam a cidade inteira.
Outrora tive sonhos, os perdi. Ideais foram arrancados de mim, entre alguns que vendi. Sou um pirata dos novos tempos, aqui ou alí, sempre buscando novas viagens saqueando amores vís, mas e que no meio de tanta mentira eu me perdi e preferi também mentir.
Que posso eu fazer, a não ser debicar cada gole seco de solidão? quem posso ser, se não o mesmo homem imperfeito a se esconder nas sombras?
Admiro as tempestades pela forma sutil que elas chegam e pela beleza deixada quando se vão, parece que o mundo renasce um pouco melhor quando chega a beira da destruição. Mas eu não. Eu não sou como o mundo, sou um ser amorfo que conheceu o seu quase fim inúmeras vezes, mas sempre renasci com menos esperança. Em mim, todo o caos se acha, toda dor se prolifera, cada verso é um grito abafado por um silencio angustiante e sempre maior.
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