Eu aposto que exatamente nessa hora, na qual escrevo, o mundo la fora é um deserto, cheia de pessoas secas, frias e porque não algumas raras exceções que valham a pena... mas aqui, a minha sala também é um imenso deserto, a diferença é que comigo eu me sinto menos só, do que com os outros, porque são eles que me lembram o quanto sou diferente... o quanto não me encontro em rodas da sociedade, o quanto despreso qualquer tipo de relação de conveniência, "puxassaquismo" barato, ternos e gravatas que apertam demais, uniformes da guerra, guerra do dia a dia.
Nesse exato momento dezenas, sentenas, milhares de homens descansam seus corpos cansados, enterram seus sonhos em travesseiros com as mãos ainda suja de concreto, homens que constroem o mundo, enquanto os burocratas perdem seu tempo o fazendo um lugar pior. Não nos conhecemos mais, em tempos digitais, onde é mais facil ficar on ou off, aparecer ou se esconder, a escuridão dos esconderijos tem perdido espáço para as telas de computadores, o mundo analógico é invadido pelo digital, e, aos poucos, se tornam uma coisa só, uma coisa nova. Eu ainda sou um primata que prefere se esconder na boa escuridão e quieto, assisto o desfeixo de uma história onde não sei se evoluo ou extingo-me.
Ah, onde estão os cordias apertos de mão, e abraços apertados, que sempre foram estranhos a mim, mas eram comum a toda gente. Reciprocidade, palavra que sinto falta de usar e sentir... Eu aposto, exatamente essa hora, na qual escrevo, o mundo é um deserto, todo homem é uma ilha e todo moinho é um dragão... Mas na rede, toda viagem é uma festa, em cada janela há um amigo e todo mundo tem um sorriso amarelo numa foto bonitinha... é o que chamamos de cibercultura.
o mundo lá é um deserto, não foi isso que o pequeno principe nos ensinou.. saudades leonino!
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