sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Querer

Eu quero estar com você pelo tempo que durar...
Não quero anos, meses, dias...
Te quero agora, pelo tempo do querer...
E esse querer me faz desejar parar o tempo...
Morar na saudade de cada momento
Que sonho antes mesmo de adormecer.

Queria a noite de lua...
Queria morar na tua rua...
Queria tua alma nua...

O amor me veio escondido por trás da névoa dos teus olhos
Me veio de repente feito flecha certeira
E eu que andava tão displicente
Já não ando mais longe de você.


quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Poema limpo

Talvez o mundo hoje seja um deserto,
ou meu coração seja o mundo...
Talvez nem todos os desejos sejam secretos...
ou sejam só mentiras...

lá se vai o tempo...
correndo aos contratempos.
dando voltas os ponteiros...
girando o mundo...
correndo a vida.

E neste trágico dia no qual o amor parece ter sumido,
Volta diante de mim, aquele eu amargurado.
que se põe debruçado em sua observações...
Cálculos financeiros, Versos interminados, contas a pagar...
é a vida ininterrupta que segue frente as dores e atrocidades.
Vida vã...

Sigo por entre engarrafamentos e caixões de metais,
Caminhos que levam a lugar nenhum,
Sobre o asfalto negro, dentro da noite turva...

E o sonho norte americano segue em seus porta-aviões,
E sonho palestino resiste em seus homens-bomba.
E contamina o morro do alemão com seus meninos brincando com suas A.K47...
E as favelas do país proliferando o caos.


Ando sem bandeiras
Por entre fronteiras que nos segregam.
Sem saber quando chegará o dia em que serei a vítima...
Do terror ou do sistema,
Quem sabe serei eu a apertar o gatilho da violência
Não faz diferença,
Não nesse poema onde sou eu o senhor das coisas...
Onde domino vírgulas e pontos finais.

Mas não domino a poesia...
Ela que me domina e logo passa...
Me deixa com a sensação de abandono,
Quando se vai...

E os homens nas ruas não percebem nada...
Não percebem o tempo, o amor ou a fome...
Continuam a erguer predios e jardins...
Construir casas que não moram...
Plantar o que não colhem....

Na esquina policiais oprimem homens negros, pobres e perigosos...
Tal qual feitores ou capitães do mato...
São os homens da lei... de qual lei?
De Deus? dos Homens? das ruas?

E a pureza vai se perdendo por entre becos e vielas.
E o sangue escorre salgado por lágrimas...
Face ao sangue o samba não para.
Em fevereiro é sempre carnaval

Que Sabe de mim os outros...
Que sei eu deles?
Apenas nos cruzamos e nos olhamos...
Não dizemos nada.
Nem uma palavra quebra o barulho de automóveis e passos apressados...
Nem uma palavra gentil, nem um singelo aperto de mão...

Apenas o abandono que me gera a comoção...
A solidão de dois goles de café...
Minha infância sofrida enquanto assistia meu pai partir e chegar
Meu exílio de anos...

Faço o caminho inverso...
Nasci borboleta e regrido ao casulo.
O inverso sempre foi o caminho mais correto.
O avesso sempre foi meu lado certo.









terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Sem mas, nem poréns

Quero invadir você, te conquistar,
Te merecer, me entregar...
Ei de viver, com tua alma entrelaçada a minha,
Com minha boca colada em tua boca...
E meu quadril preso em tuas coxas.

Quero o cheiro de teu prazer nos meus lençóis,
Teus olhos a me iluminar como dois faróis...
Te quero escrava dos meus desejos e senhora de mim...
Reinando sem reinar...
Meu corpo o teu altar

Quero de ti, tudo que não foi dado,
Sequer descoberto, teu lado mais oculto...
Te ver apertando o travesseiro,
Teu cheiro morando em mim...
Um prazer que não tem fim...

Quero a ti..
De todas as formas,
Com todos os defeitos
Que inexplicavelmente eu aprendi a amar...
... e amo...
Sem mas, nem poréns...


quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Talvez te queira muito mais

Talvez hoje te queira mais do que preciso, te quero mais que os outros dias, por puro egoísmo de não saber dividir você com mais ninguém. hoje eu quero te roubar, te ganhar, te levar pra qualquer lugar escondido, onde não haja perigo e não possam nos achar.
Quero o ar que te rodeia, ficar preso em tua teia, e te amar... e amar... e amar... enquanto puder, pelo tempo que for. E mais uma vez, tua falta se faz presente, tua imagem não sai da minha mente. Meus amigos dizem que ando aos desvarios, que largo tudo só pra jogar teu jogo, e que nele eu tenho que me render pra te conquistar.
Aqui estou, de coração entregue, ao arrepio de minha própria sorte, não me importa o quão o momento seja breve, preciso te ter pra existir. E hoje, em teus braços sei que existo muito mais. Pouco me importo com os perigos que nos espreitam no futuro, se quando chegar a hora você estiver do meu lado e segurar a minha mão.
Só queria dizer, que meus olhos vão te perseguir em desejos sinceros, que minhas mão vão te invadir em amor profano, e meus lábios vão se por a professar línguas que só nós entendamos. E todo tempo será pouco, todo amor será louco, e toda tempestade será paixão.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

O médico e o monstro


 “agora sua imaginação também estava envolvida, ou melhor, escravizada… a figura nessas fantasias assombrou o advogado a noite toda; e se chegava a adormecer, ela surgia rapidamente, movendo-se de um modo furtivo… ou rapidamente, muito rápido, a ponto de rodopiar, através dos vastos labirintos da cidade, a cada esquina pisoteando uma criança e deixando-a a gritar. E ainda que a figura não tivesse rosto pelo qual pudesse ser reconhecido, pois mesmo em seus sonhos ele não adquirira um fisionomia, ou quando o possuía era embaçado e se evaporava diante de seus olhos; e assim era que se espalhava e crescia na mente do advogado, com uma força singular, uma curiosidade quase exagerada de contemplar as feições do verdadeiro Senhor Hyde”.
                                                                                       (Fragmento da obra: O médico e o monstro, de Robert Louis Stevenson)




Quem sabe toda essa história tenha um propósito que vá além da passagem, talvez o rio corra pra curso do entendimento.... Não quero me acomodar com as mesmices do dia a dia, com os cavalos que galopam a pulso frouxo, já que a humanidade nasceu para realizar os grandes feitos e chorar as grandes tragédias. Quero a minha cota.
Não tenho compreensão das minhas dimensões internas porque são extensas demais, Não sobrevivo com pouco sentimento, com pouca emoção, não posso ser comprimido...se não acabo virando um buraco negro e absorvendo tudo que se aproxima.  Como pode caber tanta solidão no mundo? mesmo com todos os oceanos que guardo dentro de mim. Pra dentro... sou país sem fronteira, terra sem lei, mundo de ninguém... Reino sobre mim, e sou meu próprio subversivo, autor de minhas revoluções... tudo que calo eclode  por dentro, vulcanizo minhas emoções, sou agente constante do meu próprio caos.
A alta percepção das coisas é o que me atormenta, carrego comigo o pesar que é a consciência e a reflexão dos tempos idos. Ah... trago em mim o mal do já ter sido e não ser mais, e o mel do poder ser,  do dever ser.
Queria eu conseguir equiparar o médico ao monstro. Bom seria se o médico não o quisesse envenenar a fera com lucidez, e o monstro por sua vez não precisasse subjugar o ciêntista a toda sua fúria.  Mas há quem diga que o médico no fundo quer proteger o monstro dos perigos que o mundo lhe oferece.. proteger a criatura feroz e incompreendida, que por ironia é o único que lhe entende.  Já o monstro ama o médico ao ponto de saber que é ele (a fera), o alterego daquele homem pacato, pouco percebido, depressivo há quem o mundo faz tanto mal.
Mas no fim... o problema nunca se soluciona... não há como equivaler... seja por amor, seja pela força... no fim... apenas um dos dois deve colocar a coroa e velar o luto do outro. O paradoxo faz parte da vida, da minha natureza. Sou todo conflito.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Manifesto

Vivemos tempo demais esperando respostas para as nossas dúvidas, procurando um manual que nos ensine o que é a vida, per vezes, nos esquecemos de viver. Não podemos culpar as circunstâncias, não podemos esmorecer, envelhecer ainda Jovens.
Onde andará as inquietudes das gerações que nos precederam, porque banalizamos tudo? o amor, a fome, a solidão, a dor... parece não haver mais individualidade, tudo hoje é produzido em grande escala, e nos deixamos enveredar por esses labirintos de prateleiras, de ofertas de atacado, de pessoas artificiais. Onde moram os sonhos? onde há alma nesse vasto mundo?  não sei... talvez o caminho esteja com os navegantes dos novos tempos na busca pelos novos mundos, ou talvez tenhamos perdido a essência do animal primitivo que espreitava às noites, que sobrevivia nas trevas, mas que mesmo como toda sua limitação descobriu o fogo, trouxe à luz as primeiras cavernas.
Nosso instinto de sobrevivência hoje nos confunde. Num mundo onde os microchips levam teras de informações, como racionalizar? como selecionar o que é importante? ficamos apenas com a falsa sensação de segurança... Aquela mesma sensação que as grades nos dão nas metrópoles... Aquela mesma sensação que as penitenciarias nos dão, quando escondem os problemas... somos todos missionários no mesmo inferno, cumprindo a mesma pena.
Ah... ante todo o asfalto, preferia eu a poesia... preferia eu a liberdade, frente a opressão... preferia eu o som do mar quebrando nas pedras, face ao barulho dos motores. Mas o mundo anda depressa demais... Não! retiro o que disse! nós andamos depressa demais... o mundo é o mesmo desde de sempre... Esqueçamos a pressa, já que nossa existência é breve... Andemos devagar para passarmos pela vida saboreando cada momento, e para que quando chegue a hora em que ela ( a vida!), venha a desfilar à Vanguarda dos nossos olhos, tenha valido a pena.