Talvez o mundo hoje seja um deserto,
ou meu coração seja o mundo...
Talvez nem todos os desejos sejam secretos...
ou sejam só mentiras...
lá se vai o tempo...
correndo aos contratempos.
dando voltas os ponteiros...
girando o mundo...
correndo a vida.
E neste trágico dia no qual o amor parece ter sumido,
Volta diante de mim, aquele eu amargurado.
que se põe debruçado em sua observações...
Cálculos financeiros, Versos interminados, contas a pagar...
é a vida ininterrupta que segue frente as dores e atrocidades.
Vida vã...
Sigo por entre engarrafamentos e caixões de metais,
Caminhos que levam a lugar nenhum,
Sobre o asfalto negro, dentro da noite turva...
E o sonho norte americano segue em seus porta-aviões,
E sonho palestino resiste em seus homens-bomba.
E contamina o morro do alemão com seus meninos brincando com suas A.K47...
E as favelas do país proliferando o caos.
Ando sem bandeiras
Por entre fronteiras que nos segregam.
Sem saber quando chegará o dia em que serei a vítima...
Do terror ou do sistema,
Quem sabe serei eu a apertar o gatilho da violência
Não faz diferença,
Não nesse poema onde sou eu o senhor das coisas...
Onde domino vírgulas e pontos finais.
Mas não domino a poesia...
Ela que me domina e logo passa...
Me deixa com a sensação de abandono,
Quando se vai...
E os homens nas ruas não percebem nada...
Não percebem o tempo, o amor ou a fome...
Continuam a erguer predios e jardins...
Construir casas que não moram...
Plantar o que não colhem....
Na esquina policiais oprimem homens negros, pobres e perigosos...
Tal qual feitores ou capitães do mato...
São os homens da lei... de qual lei?
De Deus? dos Homens? das ruas?
E a pureza vai se perdendo por entre becos e vielas.
E o sangue escorre salgado por lágrimas...
Face ao sangue o samba não para.
Em fevereiro é sempre carnaval
Que Sabe de mim os outros...
Que sei eu deles?
Apenas nos cruzamos e nos olhamos...
Não dizemos nada.
Nem uma palavra quebra o barulho de automóveis e passos apressados...
Nem uma palavra gentil, nem um singelo aperto de mão...
Apenas o abandono que me gera a comoção...
A solidão de dois goles de café...
Minha infância sofrida enquanto assistia meu pai partir e chegar
Meu exílio de anos...
Faço o caminho inverso...
Nasci borboleta e regrido ao casulo.
O inverso sempre foi o caminho mais correto.
O avesso sempre foi meu lado certo.
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