segunda-feira, 23 de março de 2015

Lá...no vazio

...É que pra mim o tempo passou rápido demais,  todos os dias em que me olhava no espelho não esperava que algo mudasse, ao contrário, pretendia mesmo que alguma coisa permanecesse, que no meio de toda essa inconstância, em algum ponto houvesse a segurança  de uma flor perdida entre prédios de concretos, uma pitada de arte dentro vida, de beleza no meio do negro asfalto.
"Experimentar o experimental..." dizia Waly Salomão... segui ao pé da letra, experimentei a vida... a vida inteira experimentei... não há nada mais bonito que os sonhos da juventude, onde todas as coisas são possíveis, onde distâncias indescritíveis  são percorridas, os amores são provados e a revolução é feita nos muros, há mais poesia...o Infinito cabe na palma da mão... Mas também, não há nada pior do que envelhecer, não há pior do que ter sonhos e deixá-los pelo caminho. É como abandonar os pedaços que nos compõem. 
De certo, entre as trincheiras e os canhões troando, existe muito mais sonhos do que sangue, mas nos deixamos enveredar pela ambição de sermos o que não somos, o essencial fica pelo caminho, porque  embora mais pesado, o desnecessário brilha como joia e nos esquecemos da máxima que:"nem tudo que reluz é ouro."
Por ter pressa, me atirei de cabeça, me dei mal, me dei bem, tive minhas perdas e vitórias... E apesar de ter de aprender a conviver com a falta, era justamente ela, (a falta),o que me movia, que me levava a novos caminhos, a novos amores, a novos dias... é justamente nesse vazio que está a minha singularidade, é nele que me expando, que viro universo infinito... É nele que meus amores são maiores é lá que minhas dores moram, lá... onde é difícil de chegar, lá onde muitos se perdem... onde eu existo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário