Ando mesmo cheio de vazios apesar das entregas, depois do salto esperando as asas, tudo que obtenho é a queda. Culpa do deslize, culpa do desnível, culpa do destino... agora pouco importa de quem é a culpa, todas as culpas do mundo são minhas.
Hoje acordei mesmo muito triste, querendo entender porque sou como sou, mas talvez isso não seja uma questão de entendimento, mas sim de aceitação, o que torna tudo ainda mais difícil. Ontem eu era jovem e cheio de sonhos, os amores me pareciam possíveis, galopava o mundo e todos os sonhos encontravam-se na palma de minhas mãos. Mas aí veio o mau tempo e fui vencido... hoje do trago comigo o peso do mundo onde mal sobrevivo.
Talvez tudo seja mesmo assim, e eu esteja destinado a sair de certas coisas, mesmo que certas coisas nunca saiam de mim. É um preço muito alto o que carrego, por me vestir dos tesouros os quais me entrego... Ei de caminhar cego, porém belo, construir castelos onde viverei só, provar de todos os sabores, conhecer todos os amores, mas vê-los envelhecerem sem mim.
Agora toca aquela canção, fecho os olhos... deixo ela me levar pra longe... deixo o corpo ir... a mente se esquecer das possibilidades de felicidade. Como seria bom se o tempo parasse, e eu fosse o primeiro homem a não ter passado nem futuro, apenas um homem na plenitude do verbo ser... seria triste e ao mesmo tempo leve... seria apenas ser... queimar na fogueira das vaidades, arder na chama das sensações.
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