FRAGMENTO
"...Era a vida a explodir por todas as fendas da cidade
sob as sombras da guerra:
a gestapo a wehrmacht a raf a feb a blitzkrieg
catalinas torpedeamentos a quinta-coulna os fascistas os nazistas os
comunistas o repórter Esso a discussão na quitanda a querosene o
sabão de andiroba o mercado negro o racionamento o blackout as
montanhas de metais velhos o italiano assassinado na Praça João
Lisboa o cheiro de pólvora os canhões alemães troando nas noites de
tempestade por cima da nossa casa. Stalingrado resiste..."
(Ferreira gular)
E tudo segue como um rio em seu curso
Temerosas trombetas despertam o apocalipse...
E o mundo e sua lógica violenta
É desgovernada experiência...
O asfalto clama sua lei,
Mãos armadas, meninos-homens
Super-homens armados
Meros foras da lei
Mal alimentados
Quem faz a lei?
O rei? A burguesia? A demoniocracia?
Os homens maus fazem a lei..
A lei do asfalto...
A lei do predador e do predado...
Vai-te para longe de mim...
Lógica anormal, mundo irracional
Prefiro antes outros mundos...
Sou Stalingrad...
Resisto bravamente.
Homem temerário na esquina,
Meninos de rua,
Prostitutas semi-nuas
O asfalto é negro
Sobre ele pretos e brancos
O sangue é sempre vermelho e quente...
E quem faz essa lei?
Os homens maus fazem a lei...
Eu já não tenho leis
Sou Stalingrad...
Apenas resisto...
Resisto como tem resistido
A gente honesta...
Como resiste um bom marujo
A tormenta do mar impetuoso
Apenas resisto...
E por resistir
deveras existo!
Att Leo ROcha
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