sexta-feira, 21 de setembro de 2012

de tempos em tempos...



De olhar no vazio,
Acabei prestando atenção,
Que às vezes o tempo,
É senhor da sua razão...
Às vezes o vento
Também muda de direção...

De mergulhar no nada,
Acabei achando uma outra entrada
Que dava esperança pro meu coração,
O que dizer disso então?

Não disse nada...
Deixa o tempo mudar...
Deixa a sorte chover e o inverno passar...
Quem sabe amanhã...
Mas hoje prefiro calar...

E depois...
O futuro que me espera,
É tão incerto quanto o nada,
Tão negro quanto a madrugada,
Que espera enamorada
A alvorda desvendá-la...

E no caos o tempo...
No coração dos homens o tempo...
E nas costas do tempo vou eu,
Buscando ser senhor do meu destino...

( Poesia e anarquia )

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Pero sin perder la ternura jamás

O pior  foi o tempo ter me vencido. Invariavelmente se perde mais do que se ganha, tenho perdido a juventude todas as manhãs, procurado a vida no meio do caos, observado a  dança dos espíritos em meio aos muros de concreto e aço, Um inferno de chão negro e quente com o céu cinza...Onde está a luz? A luz se foi no exato minuto em que desaprendi a sorrir, e ainda assim aceitei a idéia de que seria possível continuar a viver, como se viver fosse mais importante que sorrir... será mesmo?
Ví uma frase que me chamou à atenção: "Menos camisetas, mais revolução!" a contradição é que tal frase estava estampada na camiseta do garoto que andava maltrapilho para se destacar. Fiquei imaginando quantas camisetas que criticam camisetas existem por aí... e por assim fazerem, vendem mais... uma contradição em termos como quando o atualmente popular Che disse: "Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás." Será mesmo possível ser tão paradoxal? duro e terno? quente e frio? equilibrar os extremos nas frases de efeitos e camisetas por aí, é muito mais fácil do que dentro de sí. Pode ser que eu desconheça de extremos e rvolução tanto quanto desconheço da mistériosa natureza humana, que as vezes me parece apaixonante, em outras repugnante. Mas como Che equilibraria a revolução com sua cara estampada nas camisetas? será que o revolucionárioa seria maior que a causa? qual a importancia do simbolo?  não duvido de que a resposta seria... pero sin perder la ternura jamás."
Eu, já não sei ser mais terno, já não sei mais brigar, nem usar camisetas... é só a vida e o caos, e no meio de tudo um verso, um amor, um poema, o avesso... e tudo me choca e me emociona, a tristeza que me acostuma, a felicidade que me distrai... tudo me causa angústia e medo... Qual o sentido? há um sentido em fazer sentido? talvez não. Por isso as contradições nas camisetas, as contradições que vivem lado a lado, somos uma civilização de opostos. 
Vejo homens armardos e dispostos a morrer todos os dias,  homens que estão dispostos a seguir uma causa, mesmo que não seja a sua, homens que buscam a salvação depois do próximo metrô, na fila dos banheiros, nas praças cheias de homens e pombos, homens que esperam a condução que os levem a outro planeta. Um planeta onde homens duros como eu, possam ser ternos.
Pero sin perder la ternura jamás aviões despencam do céu, pero sin perder la ternura jamás a bailarina dança, o ladrão rouba, o homem mata, as revoluções falham, o capital entra em crise, as camisetas vendem, a musica toca, a humanidade ama, a desumanidade faz guerra, os jornais saem todos os dias, o vizinho do 402 estoura os miolos, a mulher adultera traí o marido, enquanto ele a trai no escritório, enquanto centenas morrem nas filas, enquanto milhões morrem à mingua... Todos, 
Pero sin perder la ternura jamás...






sábado, 8 de setembro de 2012

Poesia marginal

Na marginal os marginais...
o rio separa as margens,
os marginais...
A noite nem acabou...
Vejo luzes acesas,
Os homens se põe de pé...
Caminham convictos de que hoje será diferente
Talvez um pouco mais a frente alguma esperança...

O rio separa as margens
O carnaval dos excluídos,
A fé dos sempre aflitos,
As armas letais..
Na marginal os marginais...

No coração das metropoles,
No submundo das capitas
Há um rio que separa os marginais...

E se as margens se unissem e não houvesse mais rio...
Rio de janeiro em fevereiro é carnaval,
mas não nas margens onde habitam os marginais

O menino empunhou a arma,
Não sabe nada da vida,
Menos ainda sabe da morte,
A ignorância lhe dá coragem...
A ignorancia é ópio, é odio, é ócio...

A margen não quer ser rio...
O rio não quer ser margem...
debaixo da ponte por onde passam cardumes de carros
maginais à margem da marginal!

Poesia marginal... sem métrica sem rima...
E todos vão repetindo como se andassemos em circulos
Na marginal os marginais
À margem poesia...
Os marginais
À sombra dos poderosos
os marginais
A desgraça dos povos...
os marginais
Os que morrem à míngua
Os marginais
Os que matam sem dó
os marginais...

Onde habitam??
À margem, das marginais...

Poesia e anarquia!

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Pense.

       Eu levei muito tempo até entender as coisas como eu entendo hoje,  isso é natural, tão natural que nada impede que amanhã eu perceba tudo de maneira diferente de como entendo agora.  Já fui muito mais radical, hoje minha balança tende  muito mais ao equilíbrio
      Temos que começar a entender que certos tipos de pensamentos são feudais. O principal deles o das separações, vivemos  segregrados lado a lado. Quando queremos ser aceitos em determinado grupo e excluir determinadas pessoas que não julgamos semelhantes a nós, isso não é diferente do apartheid, e como quem já não dorme sem um rito, já não dormimos sem nosso apartheid de cada dia. É assim nas  favelas, é assim nas ruas, nas classes sociais e na vida. A curiosidade é que lutamos para ser aceitos, temos medo da rejeição, e quando acolhidos a primeira providência que tomamos  é buscar a individualização naquele grupo, antes tão homogênio.
      A linha do equador não foi posta alí por acaso,  além de todas as razões geográficas, há escondido por trás das cortinas todos os vetores sociais. Nós criamos linhas imaginarias que nos subjugam, por isso a grande diferença do que esta acima e abaixo do Equador... Se somos individuais em nossas características, pela própria natureza do espírito humano, você pode questionar que não há nada testado quanto aos benefícios da homogeneidade, talvez não mesmo. Mas garanto que a harmoniedade é necessária nesse mundo de fronteiras invisíveis e linhas imaginárias. Afinal, como diria Leonardo Boff, "somos todos cidadãos da terra."
      Vivemos numa era onde há um culto exarcebado as liberdades, reflexo do neoliberalismo ou da pópria natureza desbravadora e livre do espírito humano. Mas seriamos tão livres assim? Nossas idéias são realmente nossas? quando o Big Brother foi escrito, George will, ja previa que seriamos controlados, absorvidos todos os dias, pelo a avanço do mundo digital sobre o analogico. No filme genial de kubrick laranja mecanica, é facil perceber, quanto nossos valores conseguem ser dissolvidos pelo meio social, a moral é uma construção social, se vivessemos numa sociedade onde se legitimasse a  barbarie (embora estejemos à beira dela), a barbarie seria moralmente aceitável?
        Pra mim, nenhuma colocação define mais a nossa falta de liberdade do que Sartre quando diz... " eu descobri que eu não tenho escolha, e é justamente por isso mesmo que eu sou livre"... perceba, que a sandália que vôcê usa, o leite que você toma, até o tom caque da sua blusa, estão predeterminados antes mesmo de você nascer,  iria alem... influenciados diretamente pelo lado do túnel rebouças que você nasce, ou do Equador se lhe cair melhor.
Moral da historiaa... o que é realmente seu, e o que querem que você pense que é?
       Estar acima dos radares, "vibrar em outras frequências", é o que Nietzsche chamou de super-homem, o não alienado de Marx, o que Freud diria que não pode ser capturado nos planos dos discursos, os que não  sentem a necessidade de estarem separados pelas linhas imaginárias não harmônicas,  os que não são reféns do sofísmo.

Poesia e Anarquia

sábado, 1 de setembro de 2012

texto de sabado

Talvez daqui a algum tempo, eu tire a carta da manga e a roupa de festa do armário. Talvez daqui a algum o milagre que espero aconteça, pode ser que certas dores doam menos. De nada me adiantou a pressa, a correria, a agonia de viver, depois de um tempo, e de muitas batalhas, muitas derrotas, levantando e caindo percebi que tudo tem realmente o seu tempo, como estações... estações são sempre lugares de passagem, onde todo carro tem sua hora, seja na primavera ou no inverno. Racionalista que sou, ou que tento ser, reconheço que as vezes o acaso, destino, ou sorte ( Como queiram chamar ), é um jogador que desequilibra o jogo das razões, seja porque  ele tem  todas as cartas na manga, seja porque nesse jogo eu aposto tudo, e ele sempre não tem nada a perder. Mas não é sempre assim, posso garantir, que boa parte de meus fracassos se deram por erros de estrategia, quando hesitei e devia prosseguir, quando prossegui e devia parar.  Há uma piedade natural pelo homem que sucumbe, mesmo quando se vence a figura do vencido antes titânica, é algo que causa comoção. Uma pena que o destino, não padeça de mal.