sábado, 28 de janeiro de 2012

Amar só no superlativo.

Amar só no superlativo. Não sei amar de forma comedida,  é mau de mim que sou egoista e te quero só pra mim. Não consigo esperar outra coisa, se não ser para ti, a pessoa mais amada. Talvez por isso, ainda te mande cartas, te escreva versos, deixe o meu perfume em teus lençóis para que te inebrie. E assim, eu te prometo tudo que há de maior neste vasto mundo, desde a estrela mais alta à sombra do abismo mais profundo e o meu amor.
Em teus olhos se espelham miragens, lá se escondem naufrágios, navios, oceanos e mares... Minha alma dilacerada,  não consegue partir, não consegue te deixar, seduzido por teu corpo de formas mais perfeitas e teu espirito de mistério, tua pureza de coração sobretudo.
Certo estou da impossibilidade de te amar em silêncio. Só é possível  te querer mais e mais, numa intensidade tão grande, que se me tocas o ombro ganho asas. Se me acaricias, a vida  se torna uma eterna alvorada.

ATT Leo Rocha

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

para que não pudesses partir

Meu amor é maior que o mundo
Não há sequer, oceano mais vasto ou profundo
Do que o meu amor...
De meu amor fiz cartas, versos, canções...
Da terra que antes era nada
Ví brotar nações...
Conquistei todos os mares,
Lhe dei minhas caravelas,
Mas retirei todas as velas,
Para que não pudesses partir...
                            ATT : Leo Rocha

domingo, 15 de janeiro de 2012

A dança esquecida

Das coisas que só eu sei,
ninguém mais sabe...
Do que repudio
Da treva, do abismo, do nada...
É madrugada,
Terra desconhecida,
Fantasmas galopam soltos...
Medos vem a superfície da alma
Materializam-se...
A dança esquecida, o ritual...
Astros boiando no infinito, solitários e distantes
Quisera eu um ter-te dado a estrela mais brilhante
Não pude...
Como não puderam os amantes antes de mim...
Nenhuma estrela se arriscaria a brilhar perto de ti...
Nesta noite de obscura,
Há apenas a lembrança do clarão dos teus olhos se abrindo
E a solidão...
E tudo mais que repudio...
Os medos, as lembranças....
Demônios atormentados...
A dança esquecida, o ritual...

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Mortalidade

Ando cansado e com medo. Dias incertos hão de vir, eis a única certeza. Mas não lamento, o destino tem sido generoso comigo me fez belo, me deu olhos nesta terra de cegos, deveras me fez rei. Talvez por isso conheça das dores do mundo como ninguém e só de vê-las as tenha absorvido. Não nego, sou um homem sem tempo, sem onde, sem quando... Venho do Sul ou do Norte, quiçá do Sertão e tenha vivido a seca, tenha secado então.
Observo da janela do meu apartamento o mundo e suas engrenagens. Gente que chega, gente que vai, é assim na vida e no mundo, por isso temos tantas lotações, tantos destinos e desencontros. Passos em desarmonia, uma longa caminhada que não encontra sentido a não ser na contramão de tudo que se credita ao espírito digno que habita os corpos cada vez mais vazios.
Não é só isso, não é só de carne sangue e medo é que se faz um homem. Também tenho meus sonhos, também quero ir além... Mas como partir e me desprender do emaranhado dos teus cabelos negros de noite em treva. Mas o ritos de passagem se fecham e se abrem, como portas, como mãos que esmolam. E se não sigo agora, logo mais não haverá pegadas, não haverá nós, não haverá nada. 
Então compreenda-me e perdoa-me. Ando com tanto medo, com vontade de me esconder, de ser esquecido no guarda roupa, como quando era criança e quieto observava o feixe de luz  invadir a escuridão pela brecha da porta, aquela sensação de ser invisível, de ser imortal, nunca mais me acompanhou depois que cresci e não coube mais no guarda roupas, tão pouco couberam meus problemas nele, pelo contrário, ando experimentando as diversas faces de minha mortalidade, medo solidão, as vezes até momentos de felicidades,  nesses momentos lembro de ti. 
Agora já chega. É tarde, muito tarde, devo deitar, pode ser que observe a rua, um pouco mais, gosto de observar a rua vazia, nem parece a mesma rua por onde passa tanta gente todos os dias, a vida é uma grande rua cheia de gente que vai e que vem.

ATT: Leo Rocha

Onde quer que haja paz...

Hoje, eu queria uma passagem só ida,
Passar sem destino pelos lugares onde estive
Rever velhos amigos, jogar conversa fora...
Caminhar dentro de mim, refazer meus caminhos,
cantar velhas canções, receber teus carinhos...
Hoje eu queria um dia mais doce, uma mão mais amiga
Um beijo de novela, um frio na barriga
Mais emoção nas palavras...
Hoje eu queri esquecer do mundo,
Mergulhar nos olhos mais profundos,
Tênue azul do mar...
Onde quer que haja paz,
Longe desse caos, longe do mercado capital
Da lógica anormal, nova ordem mundial...
Cortejante, teu riso de menina
Amanhã, talvez novos caminhos,
Hoje procurando moinhos, onde só há dragões
Talvez Quixote, talvez Cervantes
Combate perdido, vitória na largada, não sei...
Onde quer que haja paz...
Lá quero estar, longe das cavernas da mente atormentada
Em busca da alvorada,
Vendo o sol raiar imponente,
Novos horizontes, homens mais contentes
Terna certeza do porvir,
Se virá não sei...
Me contento com a certeza
O abstrato, a felicidade no retrato,
Doce família feliz.
Hoje quero estar longe...
Na próxima estação de sonhos,
Podendo ser o que não somos,
Colocando o tempo sobre minhas asas...
Onde quer que haja paz...
Nos campos abertos, Romances atrais...
Verticalização dos limites, vôos clandestinos, saltos no infinito
Hoje quero estar onde não haja limites,
onde quer que a paz habite,
Seja na fé, seja na salvação
Onde quer que haja paz...

 ATT: Leo Rocha

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Prelúdio

Nas noites mais frias
Deixemos as janelas abertas,
Para que os anjos vestidos de luz
Adentrem e dissipem a solidão.
Ainda haverá um tempo
Em que teremos a coragem
De nos lançarmos das mais altas janelas
E despencarmos para o infinito,
Acreditando no sonho que podemos voar
Como as mais belas borboletas azuis.
Então, como num sonho,
Plenamente livres voaremos...
Nos confundindo com o azul do céu...
Depois de pouco tempo...
A dor não há de existir.
Como nós também não existiremos.

 ATT: Leo Rocha

Momentos

Num desses instantes insignificantes...
O mundo parou
Bem diante dos meus olhos
Iluminados,
Redondos,
Perplexos,
Como dois Discos voadores
Naves que se perdem no infinito...
Qualquer coisa que flutue sobre nós
Num silêncio inesperado,
Não o silêncio de um mundo em paz,
Mas o silêncio de um mundo devastado
Por bombas atômicas.

Era triste a beleza das ações interminadas...
As palavras de amor não foram ditas
Pela boca da menina bonita.
Ficaram sem sentido,
Como num passe de mágica
Desapareceram...
Para todo o sempre...

As Flores foram condenadas à beleza eterna,
Jamais morreriam...
Não eram mais perfumadas
Secas como pedras
As mãos continuavam estendidas,
Mal sabiam elas,
Não receberiam resposta alguma!

Abraços e beijos gélidos,
Se quebrariam com apenas um toque.
Os mortos agora,
Estavam ainda mais mortos,
O mundo era seu túmulo.

Se Num desses instantes insignificantes,
O mundo girar
-eu te amo!
Aceita minhas flores que só duram 24 horas
amor...

Att Leo Rocha

Ratos no sotão

" esse texto é um clássico dos meus, um dos que mais gostei de ter feito, tem muito tempo que fiz... em 2005, na velha agrotécnica, lembro que colei nas paredes. Na época tinha um significado que, hoje, por mais que me esforce, não lembro... enfim... cheira a all-star e jeans resgado... como naquela época"






                                                                                                  O Rato apareceu
                                                                                                  Num Ângulo da sala,
                                                                                                  (...)
                                                                                                   ? Que sabe esse rato de mim
                                                                                                   E esse homem e essa mulher
                                                                                                   Sabem pouco mais que o rato.
                                                                                                             ( Murilo Mendes)

    Quando a minha alma voltou ao meu corpo, era por volta das 3:30 da madrugada. Uma falta de ar me tomara o peito subitamente. Então, me levantei ainda sem ar. Estava arquejando. Olhei para cada canto do quarto. tudo estava calmo. A televisão agora chiava. Já não passava programas infantis com crianças adestradas, nem telejornais de direita que se restringem a falar do óbvio e dizem apenas que o país vai mal.
    Então eu desliguei a tv, arrastando a tomada com a voracidade de um animal recentemente preso ao cativeiro. A casa agora de um todo se fez escura. Uma escuridão medonha. Digna da escuridão que abrigava as cavernas que  nós homens habitávamos enquanto primitivos. Mas, quem disse que deixamos de ser primitivos? Talvez essa noite "contemporânea" fosse mais fria e perigosa que as noites primevas. Talvez minha casa fosse mais fria e obscura que as cavernas por nós homens habitadas enquanto simples primitivos. Seria o lar perfeito para um primata depressivo cujo o clã foi massacrado pelo evolucionismo  científico de Darwin.
    Debatendo-me pelas paredes, me dirijo até a sala. A essa altura o meu sono já tinha ido pra puta que o pariu! com o poder que a tecnologia me oferece, tentando imitar a deus , fiz com que houvesse luz na minha sala que até a pouco era treva. E o espirito de Deus ou sei lá de quem, correu sobre minha mesa que, por sinal era o Iraque depois dos americanos, um inferno.
    Eu estava escrevendo um livro. Era um livro depressivo. Eram papéis e canetas espalhadas por toda parte: Frases de efeito, textos incompletos, observações que nunca viriam a ser lidas. Era um mundo em seu caos, um livro em construção.
   Em meio ao meu emaranhado de pensamentos algo roubou a minha atenção. Era um barulho. Não, era muito mais insignificante. Era um ruido, ruido de ratos, ratos no meu sotão. Eu odeio ratos, levam a vida no submundo, mas quando necessário andam sob o sol, se misturando à sociedade fazendo o seu contrabando ilegal de podridões dentro de nossas casas, bem debaixo de nossos narizes, nós nem percebemos isso. A noite eles são piores, caminham silenciosamente quase imperceptíveis. Eu não os via, mas minha mente os faziam grandes e perigosos. Uma grande sociedade organizada, capaz de destruir o meu mundo. Ratos intelectuais que se aproveitavam  do meu sono, da minha fraqueza de humano miserável, para realizar seu contrabando ilegal de podridões. Muita gente pensa em salvar o mundo da fúria humana, mas não consegue nem retirar os ratos de sua própria casa.
   Ao terminar de refletir, o sol já me tangia  para o quarto. eu havia virado a noite pensando em como me livrar dos ratos. Deitei-me decidido a comprar algumas ratoeiras. Antes de dormir, ouvi pela última vez o ruído de ratos, ratos no sotão.


 ATT: Leo Rocha

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

comentário sobre o texto abaixo..

Já me disseram que o mais importante não é o que se diz, sim como se diz, eu seguindo no inverso da lógica, por maior apresso que tenha as palavras, sempre tenho a impressão que o que é realmente importante é o que não se diz, pode parecer complicado, mas o que não se diz "algumas vezes" é de suma importância por não traduzir-se em signos, quando de tão imenso você não expressa, quando te falta a palavra, quando te falta o fôlego. Talvez amor, Deus, Liberdade sejam as palavras mais usadas, ao longo da história da humanidade, as pessoas já mataram e morreram e nome dessas palavras, mas se um dia você sentir o amor, "Deus", a liberdade,   você vai acabar percebendo que é algo muito maior, do que signos, conceitos, definições... os pássaros que alçam vôos acima dos arranha-céus, que migram sempre em busca do verão, sabem o que é liberdade, as pessoas que fazem o bem, sem olhar a quem encontram com Deus, e se um dia você olhar no fundo dos olhos de uma pessoa e sentir algo tão lindo e intenso que lhe roube as palavras, que lhe faça perder o fôlego, talvez seja isso que banalmente, nós, ao longo da humanidade, tenhamos chamando de amor.

Versinho

Eu gostaria de te dizer tanta coisa,
Nada do que eu dissesse seria o bastante...
Já que não pode um único instante,
Traduzir a eternidade...
                                   ATT Leo Rocha

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

reflexão...

Nos incomoda a insiguinificância que nos persegue,
Lançados numa existência de frequências tão breves
Se hoje somos logo não seremos,
Se ganhamos logo perdemos,
A mesma mão que nos presenteia nos rouba e nos fascina.
A mesma arma que nos salva, nos assassina....
Não há o que fazer...
Ah amor... gostaria de te mostrar o que o tempo tem feito comigo,
Dar-te quem sabe louco abrigo
Contra o meu algoz...
não posso.
Nem meu amor pude manter intácto,
O mesmo amor que jurei velar e proteger pela eternidade,
Não resistiu a chegada da alvorada,
Fazendo nascer em mim uma nova jornada,
Onde o que ontem era, agora jaz....
A vida caminha para o tragico tormento
do enfraquecimento das folhas que vão ao chão.
O que somos nós se não poeira e nada.
Que será tua boca longe da minha?
se não terra seca, sem nada a germinar.
Amores vem e se vão como caravelas a naufragar,
E não há neste largo mundo cena mais triste bela,
Se não um marujo e sua caravela sendo enterrados no fundo mar.

                              ATT Leo Rocha.