sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Querer

Eu quero estar com você pelo tempo que durar...
Não quero anos, meses, dias...
Te quero agora, pelo tempo do querer...
E esse querer me faz desejar parar o tempo...
Morar na saudade de cada momento
Que sonho antes mesmo de adormecer.

Queria a noite de lua...
Queria morar na tua rua...
Queria tua alma nua...

O amor me veio escondido por trás da névoa dos teus olhos
Me veio de repente feito flecha certeira
E eu que andava tão displicente
Já não ando mais longe de você.


quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Poema limpo

Talvez o mundo hoje seja um deserto,
ou meu coração seja o mundo...
Talvez nem todos os desejos sejam secretos...
ou sejam só mentiras...

lá se vai o tempo...
correndo aos contratempos.
dando voltas os ponteiros...
girando o mundo...
correndo a vida.

E neste trágico dia no qual o amor parece ter sumido,
Volta diante de mim, aquele eu amargurado.
que se põe debruçado em sua observações...
Cálculos financeiros, Versos interminados, contas a pagar...
é a vida ininterrupta que segue frente as dores e atrocidades.
Vida vã...

Sigo por entre engarrafamentos e caixões de metais,
Caminhos que levam a lugar nenhum,
Sobre o asfalto negro, dentro da noite turva...

E o sonho norte americano segue em seus porta-aviões,
E sonho palestino resiste em seus homens-bomba.
E contamina o morro do alemão com seus meninos brincando com suas A.K47...
E as favelas do país proliferando o caos.


Ando sem bandeiras
Por entre fronteiras que nos segregam.
Sem saber quando chegará o dia em que serei a vítima...
Do terror ou do sistema,
Quem sabe serei eu a apertar o gatilho da violência
Não faz diferença,
Não nesse poema onde sou eu o senhor das coisas...
Onde domino vírgulas e pontos finais.

Mas não domino a poesia...
Ela que me domina e logo passa...
Me deixa com a sensação de abandono,
Quando se vai...

E os homens nas ruas não percebem nada...
Não percebem o tempo, o amor ou a fome...
Continuam a erguer predios e jardins...
Construir casas que não moram...
Plantar o que não colhem....

Na esquina policiais oprimem homens negros, pobres e perigosos...
Tal qual feitores ou capitães do mato...
São os homens da lei... de qual lei?
De Deus? dos Homens? das ruas?

E a pureza vai se perdendo por entre becos e vielas.
E o sangue escorre salgado por lágrimas...
Face ao sangue o samba não para.
Em fevereiro é sempre carnaval

Que Sabe de mim os outros...
Que sei eu deles?
Apenas nos cruzamos e nos olhamos...
Não dizemos nada.
Nem uma palavra quebra o barulho de automóveis e passos apressados...
Nem uma palavra gentil, nem um singelo aperto de mão...

Apenas o abandono que me gera a comoção...
A solidão de dois goles de café...
Minha infância sofrida enquanto assistia meu pai partir e chegar
Meu exílio de anos...

Faço o caminho inverso...
Nasci borboleta e regrido ao casulo.
O inverso sempre foi o caminho mais correto.
O avesso sempre foi meu lado certo.









terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Sem mas, nem poréns

Quero invadir você, te conquistar,
Te merecer, me entregar...
Ei de viver, com tua alma entrelaçada a minha,
Com minha boca colada em tua boca...
E meu quadril preso em tuas coxas.

Quero o cheiro de teu prazer nos meus lençóis,
Teus olhos a me iluminar como dois faróis...
Te quero escrava dos meus desejos e senhora de mim...
Reinando sem reinar...
Meu corpo o teu altar

Quero de ti, tudo que não foi dado,
Sequer descoberto, teu lado mais oculto...
Te ver apertando o travesseiro,
Teu cheiro morando em mim...
Um prazer que não tem fim...

Quero a ti..
De todas as formas,
Com todos os defeitos
Que inexplicavelmente eu aprendi a amar...
... e amo...
Sem mas, nem poréns...


quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Talvez te queira muito mais

Talvez hoje te queira mais do que preciso, te quero mais que os outros dias, por puro egoísmo de não saber dividir você com mais ninguém. hoje eu quero te roubar, te ganhar, te levar pra qualquer lugar escondido, onde não haja perigo e não possam nos achar.
Quero o ar que te rodeia, ficar preso em tua teia, e te amar... e amar... e amar... enquanto puder, pelo tempo que for. E mais uma vez, tua falta se faz presente, tua imagem não sai da minha mente. Meus amigos dizem que ando aos desvarios, que largo tudo só pra jogar teu jogo, e que nele eu tenho que me render pra te conquistar.
Aqui estou, de coração entregue, ao arrepio de minha própria sorte, não me importa o quão o momento seja breve, preciso te ter pra existir. E hoje, em teus braços sei que existo muito mais. Pouco me importo com os perigos que nos espreitam no futuro, se quando chegar a hora você estiver do meu lado e segurar a minha mão.
Só queria dizer, que meus olhos vão te perseguir em desejos sinceros, que minhas mão vão te invadir em amor profano, e meus lábios vão se por a professar línguas que só nós entendamos. E todo tempo será pouco, todo amor será louco, e toda tempestade será paixão.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

O médico e o monstro


 “agora sua imaginação também estava envolvida, ou melhor, escravizada… a figura nessas fantasias assombrou o advogado a noite toda; e se chegava a adormecer, ela surgia rapidamente, movendo-se de um modo furtivo… ou rapidamente, muito rápido, a ponto de rodopiar, através dos vastos labirintos da cidade, a cada esquina pisoteando uma criança e deixando-a a gritar. E ainda que a figura não tivesse rosto pelo qual pudesse ser reconhecido, pois mesmo em seus sonhos ele não adquirira um fisionomia, ou quando o possuía era embaçado e se evaporava diante de seus olhos; e assim era que se espalhava e crescia na mente do advogado, com uma força singular, uma curiosidade quase exagerada de contemplar as feições do verdadeiro Senhor Hyde”.
                                                                                       (Fragmento da obra: O médico e o monstro, de Robert Louis Stevenson)




Quem sabe toda essa história tenha um propósito que vá além da passagem, talvez o rio corra pra curso do entendimento.... Não quero me acomodar com as mesmices do dia a dia, com os cavalos que galopam a pulso frouxo, já que a humanidade nasceu para realizar os grandes feitos e chorar as grandes tragédias. Quero a minha cota.
Não tenho compreensão das minhas dimensões internas porque são extensas demais, Não sobrevivo com pouco sentimento, com pouca emoção, não posso ser comprimido...se não acabo virando um buraco negro e absorvendo tudo que se aproxima.  Como pode caber tanta solidão no mundo? mesmo com todos os oceanos que guardo dentro de mim. Pra dentro... sou país sem fronteira, terra sem lei, mundo de ninguém... Reino sobre mim, e sou meu próprio subversivo, autor de minhas revoluções... tudo que calo eclode  por dentro, vulcanizo minhas emoções, sou agente constante do meu próprio caos.
A alta percepção das coisas é o que me atormenta, carrego comigo o pesar que é a consciência e a reflexão dos tempos idos. Ah... trago em mim o mal do já ter sido e não ser mais, e o mel do poder ser,  do dever ser.
Queria eu conseguir equiparar o médico ao monstro. Bom seria se o médico não o quisesse envenenar a fera com lucidez, e o monstro por sua vez não precisasse subjugar o ciêntista a toda sua fúria.  Mas há quem diga que o médico no fundo quer proteger o monstro dos perigos que o mundo lhe oferece.. proteger a criatura feroz e incompreendida, que por ironia é o único que lhe entende.  Já o monstro ama o médico ao ponto de saber que é ele (a fera), o alterego daquele homem pacato, pouco percebido, depressivo há quem o mundo faz tanto mal.
Mas no fim... o problema nunca se soluciona... não há como equivaler... seja por amor, seja pela força... no fim... apenas um dos dois deve colocar a coroa e velar o luto do outro. O paradoxo faz parte da vida, da minha natureza. Sou todo conflito.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Manifesto

Vivemos tempo demais esperando respostas para as nossas dúvidas, procurando um manual que nos ensine o que é a vida, per vezes, nos esquecemos de viver. Não podemos culpar as circunstâncias, não podemos esmorecer, envelhecer ainda Jovens.
Onde andará as inquietudes das gerações que nos precederam, porque banalizamos tudo? o amor, a fome, a solidão, a dor... parece não haver mais individualidade, tudo hoje é produzido em grande escala, e nos deixamos enveredar por esses labirintos de prateleiras, de ofertas de atacado, de pessoas artificiais. Onde moram os sonhos? onde há alma nesse vasto mundo?  não sei... talvez o caminho esteja com os navegantes dos novos tempos na busca pelos novos mundos, ou talvez tenhamos perdido a essência do animal primitivo que espreitava às noites, que sobrevivia nas trevas, mas que mesmo como toda sua limitação descobriu o fogo, trouxe à luz as primeiras cavernas.
Nosso instinto de sobrevivência hoje nos confunde. Num mundo onde os microchips levam teras de informações, como racionalizar? como selecionar o que é importante? ficamos apenas com a falsa sensação de segurança... Aquela mesma sensação que as grades nos dão nas metrópoles... Aquela mesma sensação que as penitenciarias nos dão, quando escondem os problemas... somos todos missionários no mesmo inferno, cumprindo a mesma pena.
Ah... ante todo o asfalto, preferia eu a poesia... preferia eu a liberdade, frente a opressão... preferia eu o som do mar quebrando nas pedras, face ao barulho dos motores. Mas o mundo anda depressa demais... Não! retiro o que disse! nós andamos depressa demais... o mundo é o mesmo desde de sempre... Esqueçamos a pressa, já que nossa existência é breve... Andemos devagar para passarmos pela vida saboreando cada momento, e para que quando chegue a hora em que ela ( a vida!), venha a desfilar à Vanguarda dos nossos olhos, tenha valido a pena.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Segredos

Sei que sou o cara errado, que não tenho hora pra chegar e quando você menos espera já fui embora, sem ao menos uma despedida.  Sei que amo dessa maneira torta e cheia de defeitos, mas ainda assim é amor,  e desconheço jeito mais bonito de amar, nesta terra de histórias tão iguais.
Só quero que seja você a me salvar dessa loucura que é ser eu. Deixo a porta aberta, o coração escancarado, vem de braços abertos pro meu abraço, e esquece tudo... Me faz esquecer... Me faz sentir... Me faz ser... Ser o que você queira, ou coisa alguma... foi só um sorriso, não tinha mágoa nenhuma, foram só uns minutos... mas parecia ter esperado a vida inteira por eles... e num curto espaço de tempo... se encerrava uma longa espera de vida.
De perto fica ainda mais linda. E mesmo que não seja pra acontecer, fecha teus olhos e adivinha?  te escondo nesse verso, aqui sempre serás minha, e eu serei completo.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Para Capitu

 Ao mirar teus olhos de miragens, lancei-me no desconhecido que é teu ser. Algo me diz que teu coração anda perdido, tal qual nau à deriva, precisando de carinho, precisando de atenção. E eu, que outrora andava tão cheio de tudo, tão cheio de mim, tão seguro. Entendi perfeitamente o significado de Máxima Marxista, "tudo que é sólido, se desmancha no ar".
Deve ser mesmo assim, Amores eternos acabam em um dia... o problema é que paixões avassaladoras também começam de maneira repentina. E de repente era você, e de repente eram teus olhos, e de repente era o destino gritando pra mim que depois dos ventos do outono que costumeiramente levam as folhas ao chão, a natureza verdeja.
Quero todos os perigos dos teus mares de mistérios, quero teus desejos, teus segredos... quero teu corpo, teu templo,  não me importo de querer-te as cegas, de arriscar-me... mesmo que haja dores, que nem tudo sejam flores... corro todos os riscos do não... pela possibilidade do sim.
São teus olhos que me puseram a ver o mundo de outra forma, que me abriram janelas da percepção, que me deram coragem, que me leem, que me hipnotizam. Sempre foram teus olhos. "Olhos de cigana... Obliqua e dissimulada". 

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Recomeço

Me conta um história, me guarda na memória, me esconde da pressa das horas, me leva daqui... Talvez o problema seja mesmo amar, um mar que não tem fim, talvez o problema seja o azar, calar... Mas não me esquece, fala de mim, de um amor sem fim, como o acreditei ser possível... como algo incrível, lembra de mim... mesmo que tudo hoje esteja assim, mesmo que eu não esteja mais afim, que tenha chegado o fim.
O fim sempre chega, cedo ou tarde, chega. E logo passa, como tudo passa, verdade seja dita, tudo acaba em recomeço. Logo, volta aquele apreço, depois que se paga o preço, que às vezes é alto, às vezes se vende barato aquilo que se comprou caro, às vezes nada é nunca, as vezes tudo muda, tudo varia até chegar o outro dia, até perceber que se pagou mais do que valia, que se fez mais do que podia. Verdade seja dita, tudo acaba em recomeço.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

poeta

Podia ter nascido feliz,
Deus quis que nascesse poeta...

me quis...

Se todo esconderijo fosse seguro? se não houvesse perigo nas trincheiras? se amar doesse menos e não fosse tão bom? se não fosse viciante? como não vi isso antes? se tudo estava bem ali... agora pouco importa, tudo passa... "se tudo passa, talvez você passe por aqui"  era o que dizia... a canção que eu ouvi.
Mas tudo ia... ia bem até chegar o outro dia, até voltar aquela agonia de quem sabia que não estava pronto, que não era o ponto, não era a questão.
Talvez faltasse sorte, talvez fosse o rumo, quem sabe um outro prumo, um outro norte, talvez não, o caminho certo sempre foi a contramão, a contradição.
Bem me quis, mal me quis... me quis? talvez pedisse um beijo... talvez fosse o bis... sempre... seja como for... tudo sempre por um triz... feliz... "Pro dia nascer feliz", era o que eu ouvia, era o que canção dizia... enquanto tudo ia, tudo escorria... prazer, amor, dor, solidão, talvez não, talvez nada, quem sabe o caos, quem sabe casa.

Não

Não...
Não posso te ter nas mãos...
Não posso segurar teu coração...
Não posso escutar essa canção...

Se toda noite tivesse lua...
Se toda alma andasse nua...
Se todo caminho fosse rua...
Se a vida fosse menos crua...


segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Impossível a vida sem você

"Quero uma paixão que me roube o fôlego,
Que me afogue em beijos,
Que me roube a atenção,

Quero pernas entrelaçadas as minhas,
Teu corpo nu enrolado no meu lençol,
Teus beijos de novela...

Quero o perigo que esconde os caminhos do amor,
Tua pele de cobertor,
Não quero a dor de não te ter...
Não quero o risco de te perder...
É impossível a vida sem você.


domingo, 19 de outubro de 2014

vinho barato

Não espero que você entanda
que depois de duas garrafas de vinho barato
eu ainda esteja acordado pra falar de amor
não espere encontrar por acaso
em outros  abraços o no que te atou,

sei que a vida passa depressa,
que toda escolha é uma descoberta
E que quem perdeu já perdoou
é muito tarde pra falar de amor

Me explica quem sou,
Me explica quem sou!

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

sonho de ícaro

Queria agora a leveza das asas de um voo qualquer, senão asas,  ao menos a beleza do sonho de Ícaro. Queria tocar o sol, sentir seu calor queimar meu rosto e minhas asas... queria a queda... senão a queda, ao menos a esperança de um chão que nunca chegasse, um poço sem fundo, um sonho sem fim, um cão sem dono, um amor do tamanha do mundo em mim..


segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Foi apenas um sonho

Não que não soubesse que você era linda, não que não soubesse que você me amava muito mais até do que eu me amo, não que não soubesse dos teus olhos de miragens e da tua fúria de espírito, não que não soubesse da tua perfeição, não que não quisesse acordar do teu lado, casar e morar na casa ao lado da lagoa, não que não quisesse ser outro.
Pode um homem desafiar o seu espírito? pode um homem reinar sobre si? em todas as questões, em todas as aços há sempre mais de uma resposta, e simplificar nossas escolhas ao mero bom e ruim é o avesso da minha complexidade, Eu? justo eu, que consigo ser Ariel e Caliban, que com a mesma boca consigo ser o quente e o frio, o mais raso dos homens a possuir o sentimentos mais profundos.
Não se controla os ventos ou as tempestades, talvez eu ame numa brevidade desmedida, numa intensidade absurda, e tudo tenha sido apenas um sonho, como num filme que vi passando tarde da noite.

sábado, 11 de outubro de 2014

Não serei escravo dos meus medos

Não serei escravo dos meus medos,
Não serei refém de minhas pretensões,
Cavaleiro dos novos tempos,
Cantarei novas canções...

O mundo se abre a minha frente,
Com caminhos em diversas direções,
Tanto faz, se hoje não deu certo
O amanhã será melhor...

E nessas voltas do pontero
Só ficamos com o amor que damos,
Ou que recebemos,
Passe o dia, passe a noite, passe o tempo...

Serei livre como o vento...
Serei a brevidade do momento...
A intensidade das emoções...

Não temerei o mal que me espreita,
Não temerei medo algum,
Pois sei que moro onde a bondade fez casa...
Pois sei que tenho a sorte da proteção...

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Mares desconhecidos

Ando por aí perdido, hoje aqui, amanhã não sabe, ando por aí me entregando de verdade, sendo livre, sendo o que posso, batendo asas, afinal... pássaros não são felizes em gaiolas.
Tive mesmo que superar o meu medo de altura, superar a minha vertigem, e só então pude perceber a beleza da queda, o vento batendo no rosto, a adrenalina. Hoje sou feliz, porque sei que não contribuo com a infelicidade de ninguém, aprendi a me curti sozinho, a rir de mim, a me amar e principalmente a me bastar... Não sei até onde vai a minha autossuficiência, não sei até onde vai... mas também não sei do amanhã, e quero todas as incertezas, custe o que custar, quero me despir de todas as mascaras e enxergar o que há por baixo. Cansei de brincar de "o médico e o monstro", Talvez tenha cansado de tentar controlar o monstro, ou talvez tenha cansado de tentar protegê-lo.  Seja o que for... que aflore, que rasgue a pele fina da superfície e que venha conhecer a luz.
Chega que controlar minhas frustrações, meus demônios, minhas tempestades... Sou tão eles quanto os meus acertos, e o meu bom tempo. Ser errante que anda a passos tortos, mas sobretudo a passos largos.
Não, não posso deixar a vida passar, sem antes viver todas as minhas fases, andar no limite, conhecer lugares os quais jamais pensei fossem possíveis...
Se sou barco sem vela, se sou nau à deriva, que o sabor das correntezas sejam doces, e que minhas lágrimas salguem as profundezas desses mares desconhecidos.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Em qualquer lugar do mundo

Solidão é solidão em qualquer lugar do mundo,
Seja no interior de Pernambuco ou na Time Square,
Numa festa ou sozinho numa noite escura,
A tristeza também é triste em qualquer lugar do mundo
Assim como a beleza encanta em todo lugar...
E a felicidade pode ser um dia de chuva ou um carro novo.
Um beijo ou um Adeus,
Uma saudade...
Uma chegada ou uma saída...
Estradas que nem sempre levam ao mesmo lugar.

A canção emociona em qualquer lugar do mundo...
Em qualquer língua,
Nossos sonhos são precisos em qualquer lugar do mundo
Nossas dores, nosso sangue, nossa angustia...
São iguais em baixo dos viadutos,
No oriente médio, nos EUA, Na seca do interior de pernambuco

As crianças e a esperança...
A fome e o caos...
As desigualdades e o concreto...
A poesia e a anarquia...
Os subversivos, os ditadores...
Os fascistas e os Nazistas...
A maldade e a caridade...
São iguais em qualquer lugar do mundo...

O amor é amor em qualquer lugar do mundo,
Em qualquer idade...
Num beijo ou num abraço...
No nó que aperta o laço...
Nos corpos que se unem...
Nos amantes e nos amados...
Nos poetas que cantam nas ruas....
Nos cães que uivam pra lua...

Em qualquer lugar do mundo
O que pode ser sentido,
Não precisa ser definido.




terça-feira, 16 de setembro de 2014

Novos tempos

A coisa mais difícil que tenho feito, ou tentado fazer, é lançar um olhar preciso sobre mim. É como se estivesse sempre encoberto por uma névoa, é como se não me conhecesse, ou reconhecesse... M sinto cavalo selvagem posto sela, me sinto verão nublado, me sinto musica sem dança... falta algo... sobra algo... não sei. Algo não está no lugar onde deveria.
Seja o que for... seja o alto preço, seja a prisão, seja amor... Algo tem de me impulsionar, quero o salto, quero o caos, a adrenalina de seguir em frente. Não sinto que seja a hora de parar, Não sinto... Quero sentir... sentir todas as dores e poder gritá-las, a vida só serve mesmo pra ser vivida, sem receita, roleta russa, pago pra ver...
Talvez, amanhã haja arrependimento, talvez haja a paz, mas tudo é melhor que a apatia dos tempos mortos, insistir em morar num passado, acalmar as angustias do presente, sem ansiar por um futuro incerto... Quero o perigo dos novos tempos.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Solidão é meu mar

Há coisas que não nos abandonam...
Lembranças que nos assombram...
Passados tão presentes...
Doces miragens no meio do Caos...
Doces miragens...
Olhos de oases...

Caminhamos sobre o que sobrou,
O que sobrou depois que a tempestade se foi...
"todo porto é uma tempestade"
Diziam os marujos,
Enquanto meu coração perdido ancorava
No fundo de um oceano qualquer

Esquecido, naufragado...
Ouço velhas canções Nautas...
A casa do marujo é seu mar,
Um bom marujo não tem pra quem voltar...

Dias após dia...
Onda Após onda,
Sigo a direção do céu...
Dentro da noite densa retirando seu véu...
Na direção que a estrela apontar...
Solidão é meu mar

segunda-feira, 21 de julho de 2014

casulo

No fundo eu caminhei muito me rasgando por aí, não dá pra contar os pedaços meus que esqueci, como também não dá pra juntar, seria como montar um quebra cabeça que quando estivesse junto, formaria uma imagem diferente do que sou hoje. Andei em eterna mutação, me rastejei por entre a lama e o limo, mas ao sair do casulo criei asas e voei.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Hora de parar

Difícil mesmo é saber a hora de parar, saber que já se chegou no limite, que dali em diante não se pode mais seguir, reconhecer que ficou velho demais pra alguma coisa, que os olhos já não enxergam tão bem, que as mãos e pernas já não são tão rápidas e ágeis. Parar não deve ser tão difícil assim, quando se tem convicção de que o momento é certo, pior do que parar tarde é parar cedo demais, saber que poderia ter ido além, que deixou de fazer e descobrir alguma coisa, que ainda ficou algo por ser dito, um capítulo não escrito.
São as dúvidas que temos que lidar, sabendo do peso de nossa finitude onde nada é pra sempre, amores e impérios que levaram uma vida para serem construidos tem uma coisa em comum, podem desmoronar em um dia, as certezas que levamos estão sempre mudando de acordo com a dinâmica do sistema e da sobrevivência. Acreditem ou não,  não basta apenas levar um vida no topo e terminá-la na sarjeta, pois é nesta última que você será lembrado.
Parar não é se entregar. Parar é chegar num limite intransponível, quando as coisas que antes eram praticadas com excelência tornaram-se impossíveis, já a entrega é um ato covarde que vem quase sempre precedido pelo medo do fracasso.
Os homens se atormentam todos os dias com seus limites, os que se sobressaem ganham destaque, dão esperança, tornam-se especiais... mas pra mim, o maior mistério é saber quando não dá mais pra seguir e é chegada a hora de colher os frutos do que já foi plantado.
 

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Alma de leão

Que minha coragem vença o meu medo,
Que meu corpo se quebre antes mesmo que minha alma possa ser partida e dividida entre os lobos...
Que meus joelhos não se dobrem e minha cabeça permaneça erguida,
Que meus inimigos me temam,
Que minhas glórias sejam lembradas,
Que eu aprenda com meus erros,
Que haja misericórdia para os fracos e justiça ao ímpio
Que eu seja melhor amanhã do que sou hoje,
Que eu tenha esperança e honra
Que eu tenha bravura e força
Que minha alma seja a de um leão




segunda-feira, 26 de maio de 2014

terça-feira, 20 de maio de 2014

O amor é uma coisa boba

O amor é uma coisa boba,
Coisa boa que faz a gente sonhar..
é Algo pequeno, algo frágil...
Tão delicado...
Que no seu interior traz a imensidão do mar...
Mansidão do teu olhar

Ele chega e vai...
Preenche e logo esvai...
Como uma estrada
Que leva a nenhum lugar...

A o amor é só uma coisa boba,
Que é difícil de explicar,
Chega e a gente mal sente,
Cresce sem ninguém plantar...
Morre dentro da mente,
E as vezes renasce
Depois de a gente matar



domingo, 11 de maio de 2014

Mistério

Não preciso de limites, de grades, de muros. Sonhos, os verdadeiros sonhos, são ilimitados, nem sempre são realizáveis, mas é preciso tê-los. O que faríamos se encerrássemos todas as possibilidades, se fechássemos os olhos pro infinito, ignorássemos o impossível? seria mais fácil racionalizar tudo num só cálculo, se não fosse pelo fator surpresa.
Tenho gastado meu tempo lendo as entrelinhas e apostando nos azarões, sentido o gosto da vida na ponta dos dedos, cheirando o bom perfume do frio inverno, falado muito com os olhos. Sem nenhum compromisso com a lógica, caminho em passos tortos rota errante, miro futuro melhor, talvez incerto... talvez... digo não as probabilidades, tudo pra mim se acaba em mistério.
Há beleza nas coisas simples, e nas rebuscadas também. Bom mesmo seria se conseguisse ser o que espero que as pessoas sejam comigo, não sou tão bom, não sou de todo mau, tudo depende da dose que bebes de mim. Não, Não sou de fácil compreensão, ando pela contramão e com as pernas pro ar.
Tenho mais sonhos que sangue, tenho mais sonhos que carne e ossos, tenho mais vida para dentro do que para fora.
Já fui menino, já fui rei, já perdi, mas também já ganhei, quando desacreditado me superei, não desisti, não me entreguei, fiz de mim caminho sem volta, sei quase nada do passado, o presente escorre por entre meus dedos, e o futuro? pra mim tudo se acaba em mistério

quarta-feira, 7 de maio de 2014

te lembrar...

Pra te lembrar,
Vou no passado mais presente,
Na ausência mais constante,
No abraço mais querido,
No beijo mais desejado,

Pra te encontrar,
Reviro lembranças,
Refaço caminho,
Corro perigo,
E vou correndo pros teus braços...

Me encanto em teus abraços,
Sigo à sombra de teus passos,
Não há razão em lugar algum
Que você não esteja...
Esteja onde estiver
Esteja bem...

quarta-feira, 30 de abril de 2014

inferno

Me abraça o inferno na noite densa...
Não espero o bom tempo,
Danço ao som das tempestades,
Galopo nas costas do vento...
sou escravo do tempo.

Não se caminha no inferno
Com pés descalços...
E a noite negra
Se confunde com as trevas do asfalto...

Me assombra o medo de andar perdido,
Caminhar à sombra dos corações aflitos,
Sou todo caos...
O interminável caos...



segunda-feira, 28 de abril de 2014

Como eu queria

Como eu queria não ter estragado tudo, não ter metido os pés pelas mãos... Como eu queria um close antes do fim, um discurso pronto ao invés de todo aquele silêncio atrapalhado...ah... como eu queria ser remido de todos os meus erros, e num choro botar pra fora tudo de mau que há em mim...
Ando perdido sem as marcas de teus passos, para onde apontam teus olhos aflitos? me diz o que fazer? Me diz o  que eu faço com esse desespero que rasga meu peito e me amargura... onde estão os planos que traçamos? em qual rio nossos afluentes vão acabar se cruzando?
Me consome a falta, a casa vazia, o quarto tão grande... me consome o que poderíamos ter sido... mas quem sabe depois de consumido... possa renascer tal qual Fenix, voltar a ser o que houvera sido, aí, quem sabe, haja novo início, e o fim seja só um pretexto pra recomeçar.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

dúvidas

Não preciso de explicações para os meus nadas, para os meus hiatos, para os meus vazios... sempre estiveram lá e de certa forma, mesmo que pareça contraditório, me preenchem. Não quero ser completo, quero estar sempre faltando, quero ser eternamente inquieto, quero que as dúvidas sejam minhas constantes, porém que se renovem a cada amanhecer, Não suportaria ser sempre o mesmo.
Toda compreensão esvai, esgota, limita. A lei da gravidade determina que soltos no ar os objetos tendem a despencar... entendemos isso... esgotamos isso... encerramos a esperança de que os objetos levitassem... bem... apenas para alguns de nós, a lei de Newton não foi suficiente para acalmar a inquietude de Santos Dumont, algo mais pesado que o ar deve voar... e assim nascia o avião... e assim crescia o sonho em meio a revolucionária ideia de que era possível, ele viu a possibilidade onde antes só se via a certeza.
Nada é certo, absolutamente nada é preciso... o que é determinante são as circunstâncias, se chovia ou se fazia sol, se estava ventando ou não, se seu time tinha ganhado no dia anterior... Nada é pra sempre, nada é pra ontem, tudo no seu tempo... cada verbo em sua conjugação... e de todas as minhas afirmações acima, eu só assino embaixo das minhas dúvidas.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

O Vento

Nasci pra ser como o vento, livre... soprar por aí, assoviar, entrar sem bater ou batendo a porta... Nasci pra ser como o vento, as vezes frio, em outras refrescante, anuncio de grandes tempestades, ser invisível, insípido e inodoro, ser sentido, mas jamais aprisionado.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Fique firme...

Fique firme garoto, fique firme e apenas suporte o peso de suas escolhas, sei que o fardo é pesado e que por vezes suas costas parecem que vão quebrar, mas respire fundo e fique firme. Não, a ajuda não vai chegar...não, o céu  não vai abrir, pelo menos por agora não. Navios foram feitos para navegar, e se naufragar for o preço a ser pago, então prepare-se, deixe seu corpo descer até beijar o fundo do mar...
Fique firme garoto, fique firme, ninguém nunca disse que seria fácil, sei que as perdas são grandes, mas o tempo não pode voltar, então agora é a hora de erguer a cabeça e caminhar contra o mau tempo que sopra, podem até te atrasar, mas se você ficar firme um dia vai chegar lá...
Fique firme, apenas não se dobre, não se deixe vencer, colha as tempestades dos ventos plantados... e não rompa... não faça pactos, não faça acordos, não se venda... não aceite menos do que merece, procure acertar daqui por diante e fique firme...
Fique firme Boy, fique firme, porque a agua fica logo ali... depois dos milhares de km's que você tem que percorrer, pé na estrada... e fique firme.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Muito tarde

Sei que agora é tarde, muito tarde... pra dizer as coisas que eu não disse, talvez o tempo nos tenha perdido, o acaso nos esquecido, mas não posso deixar de dizer, que teu corpo quente me abrigava, quando tarde da noite chegava e tu estavas a dormir, eu de leve te abraça e ali tinha a certeza de que era feliz. Não posso esquecer de teu cabelo mal amarrado, de teu olhar desconfiado e de como era bonito te admirar na correria do nosso dia dia. Não posso dormir sem te dizer boa noite hoje em dia, mesmo que não me escutes não canso de repetir. Não posso não pedir desculpas pelos meus erros que foram muitos. Não posso deixar de te escrever versos que te enalteçam e te façam permanecer viva em mim... Sei que agora é tarde, muito tarde, mas imperdoável seria calar o amor que sinto, seria deixar passar poemas tão lindos que construam pontes me levem de volta a você. Calei... Calei... tudo que era maior, eu sei que o amor é coisa boa, que acontece assim à toa, e não raras vezes destoa do que deveria ser... mas não importa, mesmo que seja tarde, muito tarde,  no atraso das horas meus ponteiros ainda buscam você.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Incompleto

Somos seres incompletos, Deus nos fez seres pela metade, somo projeto inacabado, rascunho do dever ser... Ninguém nos amava antes, ninguém é capaz de amar sem a projeção de algo que é quase sempre incondizente com a realidade, quem nos amará depois?  Quem será capaz de amar nossas falhas e perdoar nossos erros? que sentirá nossas dores? Todos amam aquilo que esperam que os complete... busca vã... tempo perdido...

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Amando mais.

Nunca quis ter o que não fosse meu, na verdade sempre preferi o não ter, acho que as coisas permanecem por amor... e assim duram sempre o tempo que tem que durar, pra mim seria impossível viver por outro sentimento que não fosse o amor, simples, livre e recíproco.
"Não te amarro a correntes,
Amo-te ao acaso,
E de repente...
Entre Beijos e silêncio...
A vida segue..."
Viver é equilibra-se mesmo com toda essa insanidade e caos. Hoje sei que correr riscos é necessário, perder faz parte, ninguém sai ileso, e é na perda que sempre aprendemos algo, também é na perda que nos tornamos mais fortes, é no deixar ir, que por vezes, estamos amando mais.


Corpo aberto.

Todo corpo aberto é um mar...
Um mar pronto pra se amar...
Em delírios náuticos, naufragar...
E se afogar em amores e mistérios...
Contra todos os maus ventos, revertérios...


segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Por hora

Por hora vejo o verso,
Que insiste em vir...
É algo que rime com o agora,
Que as vezes aflora, 
E outras não.

A juventude envelhece,
A vida morre,
A beleza se esvai,
Nas voltas do ponteiro...

Por hora vejo verso,
Vejo vindo,
e logo se vai...

Por hora, passa agora
Passa lá fora
e logo despenca e cai...

Vem verão  e outono de folhas mortas...
Vem inverno e o frio batendo à porta...
Na primavera a poesia corrobora...

E o tempo passa pela hora...
O tempo passa pela hora...
O tempo passa aurora...
O tempo passa e logo evapora...




quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

O Salto

Acho que saltar pela janela foi mesmo a melhor saída, a porta estava trancada e não resta dúvida que quando Deus fecha uma porta ele abre uma janela, A janela era mesmo um sinal, um portal, algo surreal... mas estava aberta, aberta é o caralho! estava escancarada como quem me dissesse: vem... Pula...! E eu pulei, sem me importar com o que ficou pra trás, sem me importar com o que ficou por ser dito, até mesmo sem me importar com o que ficou por ser... já não foi... já não é. Mas ao saltar não era eu anjo ou pássaro, nem outra criatura com asas, não era Deus, era ateu... e dos ateus o mais temente... o que reza quando seu corpo despenca janela abaixo.
A janela é uma metáfora, a poesia é uma metáfora, a vida é a maior metáfora, por vezes estapafúrdia, sem nenhuma lógica... é só o sentir... sentir o sentido dos ventos e das chuvas, o calor no corpo e o frescor das lágrimas e no final somos só um ponto no infinito, a chama de uma vela que logo se apaga. Então, se é assim, quero saborear minhas dores e perdas da mesma forma que meus ganhos, e por mais amargo que tudo me pareça, eu quero ser... simplesmente ser em amplitude e precisão.
A queda machuca, não nego. Mas não foi pela dor que saltei da janela, saltei, porque acreditei que voaria, que seria especial e dentre todos os homens sem asas da humanidade eu seria o mais audacioso desde Ícaro e suas asas de cera, saltei pelos segundos de adrenalina que fizeram o coração disparar e me tiraram  da monotonia, saltei pelo vento no rosto face ao calor do dia, saltei porque quis, e porque do salto à queda, eu estava sendo senhor de mim, estava sendo livre.